sexta-feira, 27 de maio de 2016

REVISTA AVENTURAS NA HISTÓRIA E ROMANCE A ÚLTIMA POESIA FALAM SOBRE HITLER ANTES DE CHEGAR AO PODER

A revista Aventuras na História lançou uma edição especial sobre a vida de Adolf Hitler antes de chegar ao poder.O cotidiano comum do jovem que se tornaria o homem mais odiado da história.  Já nas bancas!




Quer conhecer mais sobre a vida de Hitler antes se tornar o Führer, adquira também o romance A Última Poesia de Max Wagner que retrata a Primeira Guerra Mundial.





Erich Maria Remarque e Ernest Hemingway foram os escritores mais célebres retratando A Primeira Guerra Mundial, com “Nada De Novo no Front e Adeus às Armas”. Desde então, apenas o estadunidense Jeff Shaara com seu romance histórico ”Até o Último Homem” e o galês Ken Follett com ”Queda de Gigantes” conseguiram realizar o mesmo feito. Agora pela primeira vez, um brasileiro conseguiu escrever um romance sobre a Primeira Guerra Mundial. Max Wagner - o descendente de imigrantes italianos trouxe uma visão fantástica da guerra no seu romance “A Última Poesia - Do Orgulho Nasce a Guerra”.

Este primeiro volume que dá início a saga narra a trajetória de um marco na história humana (A Primeira Guerra Mundial), suas perdas, desilusões e o fim do cavalheirismo. É o choque entre o Velho e o Novo Mundo, neste romance a História usou a Literatura como arma para desenhar um retrato vivo e chocante da Grande Guerra.

Uma misteriosa carta escrita pelo Barão Vermelho a um piloto francês se transforma numa poderosa arma de propaganda, podendo mudar o curso da guerra. A personagem principal da trama é o aristocrata e aviador francês Gerrard de Burdêau, que enfrenta um conflito dentro de si, para entender aquela guerra inútil, que matou milhões de homens e nunca deixou vencedores. O romance retrata passo a passo as grandes batalhas da Primeira Guerra Mundial; o sacrifício estúpido de milhares de vidas, as trincheiras, a lama e o sangue por toda parte.

A redenção chega para o capitão Gerrard, quando no final da guerra, em plena Batalha do Marne encontra uma criança alemã em uma trincheira. Diante dessa situação entra em conflito com seus compatriotas franceses e passa a lutar com todas as forças para ficar com o bebê.

Do outro lado da Europa, o cabo Adolf Hitler, ferido em um hospital na Alemanha relembra o seu passado e os horrores daquela guerra terrível de quatro anos. A história frente a um soldado alemão angustiado na sua loucura, enquanto na França o aviador Gerrard de Burdêau vive as consequências e o fim do conflito que havia prometido acabar com todas as guerras...

Mergulhe nos campos lamacentos da Primeira Guerra Mundial, voe ao lado das grandes lendas aéreas de todos os tempos. Faça parte da saga dos Burdêau.


MAX WAGNER PARTICIPARÁ DA FEIRA DO LIVRO DE RIBEIRÃO PRETO 2016


Max Wagner participará da Feira do Livro de Ribeirão Preto 2016
Max Wagner
Max Wagner participará da Feira do Livro de Ribeirão Preto-SP com seu romance A Última Poesia que retrata a Primeira Guerra Mundial. A sessão de autógrafos do escritor será no dia 16 de junho, quinta feira das 18:30 às 19:30 h, no Estande dos Autores Locais.
Organizadores da Feira

A Feira do livro de Ribeirão Preto 2016 acontecerá de 12 à 19 de junho 2016. A 16ª Feira receberá autores e artistas consagrados: Mário Sérgio Cortella, Augusto Cury, Rita Mourão, Menalton Braff, Carlito Azevedo, Ignácio de Loyola Brandão, Martinho da Vila, Jayme Monjardim, Dan Stulbach, Fabrício Carpinejar, Alice Ruiz, Carol Rodrigues, Pedro Bandeira, Edney Silvestre, Cristóvão Tezza, Jair Oliveira, Lucília Junqueira de Almeida Prado, Isaías Pessoti e muitos outros. Não percam!
Neste ano, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto resolveu jogar luz no escritor e no leitor e, por sua vez, na produção literária, com destaque para o romance, o conto, a crônica e a poesia. O slogan “Viva o escritor, salve, salve o leitor” é um grito de guerra e tem como objetivo centrar toda atenção no papel desses importantes personagens. A proposta da Fundação é promover um amplo debate sobre o ato transformador da leitura. O tema, organizado como uma saudação, deseja parecer um chamado. O palco para um des file de muitos escritores está pronto só esperando, você leitor. Participe!
No dia 18 de junho às 16:00 h, o escritor Max Wagner participará também do Sarau de Lançamento da Antologia Ponto e Vírgula, organizado pela apresentadora e escritora Irene Coimbra. Mais de 100 escritores estarão presentes. Max Wagner faz parte da Antologia com o poema Guerra.
Max Wagner e Irene Coimbra  
 
  Guerra
“A GUERRA NUNCA DEIXA DE SER UM ARTÍFICE VIBRANTE, ELA USA SUAS CORES PARA TINGIR O CÉU E A NÉVOA DE ESCARLATE. GLORIOSA E INEXORÁVEL! COLORINDO COM SEUS PINCÉIS DE SANGUE UM RASTRO DE RESTOS MORTAIS DE CARNE.
JAMAIS HESITA EM MARCAR PRESENÇA COM ALEGRIA, INSTIGANDO O PRESTÍGIO E PERPETUANDO O PODER, TRAZENDO UFANIA PARA A PÁTRIA: BERÇO INOLVIDÁVEL, REPLETO DE FLORES QUE AGUARDA SEUS FILHOS REGRESSAREM DA ÁRDUA BATALHA.
MAS TANTO VIGOR A CUSTA DE QUE? DE LÁGRIMAS DE SANGUE DAS FAMÍLIAS DOS ENTES QUERIDOS, QUANDO APÓS A NOSTALGIA VOLTARAM COMO RETALHOS HUMANOS E CARCAÇAS DEPLORÁVEIS.
NO FINAL DE TUDO, A GUERRA DEIXA UMA HERANÇA; A MEMÓRIA DOS SOLDADOS E CIVIS ILUDIDOS QUE DERAM SUAS VIDAS NUM CONFLITO INÚTIL ONDE JAMAIS HOUVE VENCEDORES... “

RESENHA - CANHÕES DE AGOSTO DE BÁRBARA TUCHMAN


 Os canhões de agosto de Barbara Tuchman - Vencedor do Prêmio Pulitzer 1963.





A I Guerra Mundial, como não poderia deixar de ser, tornou-se prato cheio para historiadores e romancistas. São inúmeros os livros que se escreveram contando ou tentando explicar o evento, assim como muitos são os que se utilizaram dele como pano de fundo para histórias fictícias.


Pra quem quiser ir mais a fundo e entender não só as origens da guerra como seu próprio desenrolar, a leitura obrigatória é Canhões de Agosto.
Escrito por Barbara Tuchman, Canhões de Agosto ganhou o prêmio Pulitzer de 1963. Suposto sua autora seja uma historiadora, o livro desenvolve-se quase como um romance. Com uma precisão assustadora na análise e na sucessão dos fatos, é na descrição dos personagens como seres humanos reais que Barbara Tuchaman brilha. Guilherme II, Joffre, Foch, Von Moltke e Lord Kirtchner são apresentados ao público como indíviduos cheios de idiossincrasias, vaidades e ressentimentos; não como totens da história.


Sua tese é simples: o que aconteceu no primeiro mês da guerra foi o mais determinante para que ela se desenrolasse como se desenrolou.




Seu ponto culminante reside na análise de que tudo deu errado porque todas as estratégias – tanto de um lado como de outro – baseavam-se na análise do que acontecera na guerra passada (Guerra Franco-Prussiana). Ninguém – ou praticamente ninguém – levava em consideração que a tecnologia havia mudado, que as nações haviam se desenvolvido e que uma nova guerra demandaria uma nova estratégia de ação.


Barbara Tuchman explica que o plano de ação alemão era uma mera variação do Plano Schlieffen. O plano previa um ataque maciço à França pela Bélgica, com uma gigantesca ala direita e um centro e uma ala esquerda suficientemente fortes para segurar o avanço francês pelo meio. Dizia-se que a ordem de Schlieffen era: “O último homem da ala direita deve encostar a manga do braço direito de seu uniforme no Canal da Mancha”.


O problema era a Bélgica. Pelo tratado de paz firmados entre as potências europeias, a Bélgica era neutra, assim como a Suíça. E todos os países se comprometeriam a assegurar a neutralidade belga. Invadi-la, portanto, traria consigo o ônus de arrastar a responsabilidade pela deflagração da guerra.
Von Möltke, chefe do Exército Alemão, não estava nem aí. Mandou a neutralidade belga pro espaço e mandou invadir os países baixos. Nesse ponto, não teve a clarividência que tivera Bismark 50 anos antes. O eterno chanceler prussiano arquitetara três guerras que desejava sem ter deflagrado nenhuma; fazia com que seus inimigos a declarassem antes. Com isso, podia se sair com a tese do “tava-na-minha-mas-vieram-mexer-comigo”. Logo de cara, a Alemanha jogou a desculpa fora.


Pra piorar, os alemães ainda se esqueceram do aviso de Schlieffen. Ele teria morrido dizendo: “Jamais uma guerra em duas frentes[oeste e leste]”. Sabendo dos acordos da Tríplice Entente, os alemães planejaram uma guerra simultânea contra a França – auxiliada pela Inglaterra – e contra a Rússia. Ignoraram a advertência de Schlieffen de que, para seu plano dar certo, todo o contigente alemão deveria estar a oeste, focado no ataque à França. Deslocar tropas para o leste para uma luta contra a Rússia prejudicaria a ideia de uma ala direita gigante, apta a fazer um movimento de “pinça” para encurralar o exércio francês, tal como acontecera na famosa Batalha de Sedan.


Já a França, teimosa, achava que poderia bater os alemães. Não contavam com o enorme desenvolvimento industrial por que passara a Alemanha desde a unificação, nem com o recrutamento de civis para – com pouco treinamento – se juntarem às forças regulares do exército. O contigente alemão tornara-se muito maior do que o imaginado.


Quando a Alemanha invadiu a Bélgica, os franceses, ao invés de deslocarem sua força para proteger sua ala esquerda (a direita da Alemanha), tentaram atacar pelo meio. Não só foram rechaçados como – pasmem – começaram a retrair-se pra dentro do território francês.


Os ingleses, aflitos, discutiam o que fazer. Havia uma elite do exército britânico pronta para ser enviada à França para tentar impedir o avanço alemão. Durante as discussões, todos discutiam quantos soldados deveriam ser enviados, mas não se deveriam ser enviados. Lord Kirtchner, então Secretário de Estado para a Guerra, foi o único a se posicionar contra. Para ele, a Força Expedicionária Britânica deveria ficar na Inglaterra para treinar o restante do exército. E, para ele, essa tarefa não duraria menos de 3 anos. Nessa hora, todo mundo tremeu na cadeira. Ao dizer que só o treinamento do exército tomaria 3 anos, Lord Kirtchner deixava nas entrelinhas o entendimento de que a guerra duraria mais de 3 anos. Isso quando ninguém – ninguém mesmo – acreditava que a guerra fosse durar mais de um mês. Todos os cenários de todas as partes envolvidas trabalhavam com uma guerra que durasse duas, no máximo três semanas.


Barbara Tuchman conta detalhe a detalhe os recuos e as batidas de cabeça entre ingleses e franceses, determinados quase sempre pela vontade individual de seus generais, muito mais do que por uma estratégia preordenada. Joffre mandava atacar, mesmo diante do avanço alemão, enquanto John French, chefe da FEB, insistia no recuo da tropa.


Tudo ia bem até que um general alemão chamado Von Klück resolveu antecipar o movimento de pinça para cercar o 5º Exército francês, que recuava. Não contava ele com as tropas de Gallieni – que passara semanas implorando por tropas ao Marechal Joffre para proteger Paris – que lá estavam estacionadas. Ao avistarem por balões o movimento de Von Klück, os franceses foram ao delírio: “Eles nos deram o flanco! Eles nos deram o flanco!“


Depois de um mês recuando, o exército francês, junto com a FEB, produziu uma ofensiva, expulsando os alemães às portas de Paris, na batalha que entraria para a história como O Milagre do Marne. O que veio depois foi uma guerra de fricção, em trincheiras, que serviam apenas como matadouro de gente, sem grandes avanços de parte a parte.


A grande lição a tirar do livro é que milhões de pessoas morreram devido à arrogância de uns poucos, que se acreditavam clarividentes. A nenhum deles ocorreu a sábia simplicidade de Lord Keynes: “Quando as circunstâncias mudam, minha convicção muda também
“.

A ÚLTIMA POESIA DE MAX WAGNER ESTARÁ NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA 2016



O romance histórico A Última Poesia de Max Wagner publicado pela Chiado Editora estará disponível na Feira do Livro de Lisboa, em Portugal. O livro retrata de forma romanceada a vida do soldado Adolf Hitler e as batalhas da Primeira Guerra Mundial.
O evento acontecerá de 26 de maio a 13 de junho.
Mais um ano em que a Chiado Editora tem uma participação notável na Feira do Livro de Lisboa! São 6 pavilhões inteiramente dedicados aos seus Livros e Autores!
Quando a Chiado Editora foi criada, queria que fosse uma força verdadeiramente democratizadora do meio literário português.
Sem querer ser melhor ou pior que ninguém, logo no primeiro dia da Agenda da Feira do Livro de Lisboa, demonstra que o objetivo da Chiado Editora foi conseguido de uma forma inimaginável por muitos.


Erich Maria Remarque e Ernest Hemingway foram os escritores mais célebres retratando A Primeira Guerra Mundial, com “Nada De Novo no Front e Adeus às Armas”. Desde então, apenas o estadunidense Jeff Shaara com seu romance histórico ”Até o Último Homem” e o galês Ken Follett com ”Queda de Gigantes” conseguiram realizar o mesmo feito. Agora pela primeira vez, um brasileiro conseguiu escrever um romance sobre a Primeira Guerra Mundial. Max Wagner - o descendente de imigrantes italianos trouxe uma visão fantástica da guerra no seu romance “A Última Poesia - Do Orgulho Nasce a Guerra”.

Este primeiro volume que dá início a saga narra a trajetória de um marco na história humana (A Primeira Guerra Mundial), suas perdas, desilusões e o fim do cavalheirismo. É o choque entre o Velho e o Novo Mundo, neste romance a História usou a Literatura como arma para desenhar um retrato vivo e chocante da Grande Guerra.

Uma misteriosa carta escrita pelo Barão Vermelho a um piloto francês se transforma numa poderosa arma de propaganda, podendo mudar o curso da guerra. A personagem principal da trama é o aristocrata e aviador francês Gerrard de Burdêau, que enfrenta um conflito dentro de si, para entender aquela guerra inútil, que matou milhões de homens e nunca deixou vencedores. O romance retrata passo a passo as grandes batalhas da Primeira Guerra Mundial; o sacrifício estúpido de milhares de vidas, as trincheiras, a lama e o sangue por toda parte.

A redenção chega para o capitão Gerrard, quando no final da guerra, em plena Batalha do Marne encontra uma criança alemã em uma trincheira. Diante dessa situação entra em conflito com seus compatriotas franceses e passa a lutar com todas as forças para ficar com o bebê.

Do outro lado da Europa, o cabo Adolf Hitler, ferido em um hospital na Alemanha relembra o seu passado e os horrores daquela guerra terrível de quatro anos. A história frente a um soldado alemão angustiado na sua loucura, enquanto na França o aviador Gerrard de Burdêau vive as consequências e o fim do conflito que havia prometido acabar com todas as guerras...

Mergulhe nos campos lamacentos da Primeira Guerra Mundial, voe ao lado das grandes lendas aéreas de todos os tempos. Faça parte da saga dos Burdêau.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

DO ORGULHO NASCE A GUERRA/ CAPÍTULO 3 - O RESGATE


                III

     O resgate

  




  
“A MINHA VIDA SE RESUME NA GUERRA E NO CENÁRIO DE BATALHAS MORTAIS. EXISTIRÁ LUZ NA ESCURIDÃO?
OU SIMPLESMENTE HAVERÁ FEIXES DE LUZ NAS TREVAS?  SERÁ QUE REALMENTE QUANDO AS TREVAS SE APROXIMAM DA LUZ, ELAS TAMBÉM SE TRANSFORMAM EM LUZ? PODERÁ UMA ÚNICA ALMA EM CHAMAS SER RESGATADA DAS PAREDES DO INFERNO?

 TALVEZ ESSAS PERGUNTAS NUNCA OBTENHAM RESPOSTAS. NÃO SEI REALMENTE O QUE É O INFERNO, MAS TENHO CERTEZA QUE A GUERRA É O QUE MAIS SE APROXIMA DELE, SE ELA NÃO FOR O REFLEXO DO INFERNO, NADA MAIS É. O MEU ÚNICO DESEJO É QUE ANJOS VENHAM DO CÉU, ME RESGATEM DESSA GUERRA QUE EU CONSIDERO MORADA DE DEMÔNIOS “






Agosto de 1918, região de Flandres (Bélgica). O lugar mais terrível da terra. Um soldado alemão havia sido condecorado com a Cruz de Ferro de Primeira Classe, por ter capturado um grupo de soldados franceses. De volta ao seu abrigo imundo aperta a medalha contra o peito, seus olhos estão cansados, parecia não enxergar nada. Relembrava sua origem...


 Seu pai era Alois Schicklgrüber, que nascera em 1837 e era filho de Maria Anna Schicklgrüber, que se casou com o moleiro Johamm George Hiedler aceitando Alois mesmo não sendo seu filho. Suspeitava-se que Alois era filho de um jovem de uma rica família judia de nome Frankenberger, para a qual Maria Anna trabalhara como cozinheira.


 Após a morte precoce de Maria Anna, Alois foi viver em uma fazenda com um tio. Aos treze anos mudou-se para Viena e iniciou uma vida difícil. Empenhou-se e conseguiu um cargo de funcionário público. Viajava com frequência, em 1876 o tio convenceu-lhe a mudar seu nome de família para Hiedler, mas um erro do cartório transformou o nome em Hitler.

 Frankista dispensou Klara por que já desconfiava do caso amoroso. Alois e Frankista tiveram dois filhos: Alois Hitler Jr. e Ângela Hitler. Frankista contraiu tuberculose e foi se tratar em outra cidade, Alois aproveitou e mandou buscar Klara Pölzl, ela era neta de seu tio Hiedler (sua prima de segundo grau). Klara passou a tomar conta dos seus filhos enquanto Frankista morria aos poucos. Agora Alois e Klara podiam se encontrar sem que Frankista atrapalhasse.
 Frankista acabou morrendo e Alois foi viver com sua jovem prima Klara. Por causa do parentesco em virtude do registro civil foi exigida para o casamento uma concessão especial da Igreja Católica, que demorou meses para chegar, mas em 1885 acabaram se casando, e Klara já estava grávida de alguns meses, entretanto acabou perdendo o bebê. Alois então trabalhava como inspetor-chefe num escritório alfandegário.


 Klara teve mais dois filhos, Gustav e Ida, que morreram com poucos meses de vida, por causa de difteria. Mas às 18h30 do dia 20 de abril de 1889, na cidade de Braunau, vila austríaca de fronteira com a Bavária germânica, nasceu (Adi) Adolf Hitler.
 Em janeiro de 1894, Hitler teve um encontro com a morte. Ele caiu nas águas geladas do rio Inn, em Passau.  Havia escorregado no gelo fino, que se quebrara, afundando nas águas semicongeladas. Quando estava prestes a se afogar, um menino mais velho que sonhava ser sacerdote, Johann Kuehberger, mergulhou salvando Hitler da morte certa.

Alois Schicklgrüber, agora Alois Hitler casou-se com Anna Glasl-Horer, 13 anos mais velha do que ele, e já estava doente quando se casaram. Quando ela morreu, Alois logo oficializou a união com a copeira da casa, Frankista Maltzeber com quem já vinha tendo um caso amoroso, e também estava se envolvendo com outra jovem, 23 anos mais nova do que ele, de nome Klara Pölzl.



 Adolf teve mais dois irmãos, Edmund e Paula, mas Edmund faleceu de sarampo aos seis anos de idade e o cemitério onde estava sepultado podia ser visto da janela do quarto de Hitler.

 Mesmo depois de aposentado, Alois não dera fim a suas mudanças: Linz, Lambach, onde a mãe continuava idolatrando Hitler. O pequeno garoto aprendeu a admirar a natureza, Lambach tinha uma vista privilegiada às margens do rio Traun perto dos Alpes, ali em uma casa de campo Hitler viveu dias felizes.

 Hitler e o pai tinham uma relação difícil, seu pai era um tirano, que impunha a lei e a ordem através de castigos físicos. Surras foram aplicadas em Hitler, um trauma que passou a gerar nele a maldade. A autoridade paterna prevalecia sempre e as decisões de Alois eram incontestáveis, a brutalidade e a tirania do pai foram formando dentro de Hitler o seu caráter.


 Em 1897, aos oito anos, o pequeno Adi frequentou uma escola de padres beneditinos, e em consequência de sua bela voz, conseguiu um lugar entre os meninos cantores no coral do convento, chegou a pensar em ser padre. Era inteligente, mal humorado, mas gostava de bagunça e algumas vezes as brincadeiras eram lideradas por ele. Ali no monastério de Lambach, visualizou pela primeira vez o símbolo que marcaria sua vida para sempre - o brasão da fundação tinha sobre um fundo claro a “Suástica” que não saiu mais de sua mente.

Hitler era uma criança independente e de poucos amigos. Em 1900 ingressou na Escola Real de Linz, aos 11 anos, diante de um talento para o desenho, Hitler decidiu ser pintor, um artista. Essa decisão era demais para um rígido educador e conservador como Alois, isso gerou um conflito familiar difícil.

 Hitler passou a tornar-se cada vez mais magro, pálido, obstinado e insolente. Adi idolatrava a mãe, mas não gostava muito do pai. O talento de Hitler era para o desenho arquitetônico que fora observado desde cedo, mas foi mandado para uma escola técnica, ele não ia bem à escola, com exceção das matérias que amava: Geografia e História.

Com a matéria História descobriu o que é ser alemão nacionalista, e na adolescência viveu a agitar a bandeira negra, branca e vermelha, utilizava a velha saudação alemã Heil! e cantava “Alemanha, Alemanha acima de tudo, ainda que os castigos chovam sobre ela”. Acabou transformando-se em revolucionário alemão.

 No dia três de janeiro de 1903, Alois sofreu uma hemorragia pulmonar e faleceu no bar que frequentava. Aos treze anos Hitler tornou-se o novo chefe da família. Klara achou melhor cumprir a vontade de Alois, e Adolf continuou os estudos na escola técnica onde seu rendimento não era bom, e o comportamento era dos piores. Nessa escola Hitler ficou cativado pelas ideias dos Pangermanismo, ministradas nas aulas do seu professor Leopold Poetsch; um antissemita, que influenciou fortemente as visões do jovem Adi.

Em 1905, aos 15 anos, Hitler contraiu uma infecção pulmonar, e o médico receitou que ficasse um ano sem ir à escola. Hitler então se retirou da escola técnica sem ter obtido o diploma de segundo grau, passou a dedicar-se às artes. Em 1907, Edmund Bloch, médico judeu famoso, cobrava caro para tratar seus pacientes. A mãe de Hitler contraiu câncer, o sofrimento dela obrigou Hitler a contratar o médico, que sugeriu tratar as feridas com gazes embebidas em iodo. Entretanto alertou que o tratamento poderia ter efeito colateral que envenenaria Klara. Hitler aceitou o risco e ela foi tratada, mas o tratamento acabou acelerando a morte de Klara por intoxicação de iodo. A morte era certa, entretanto Hitler culpou o médico judeu pela morte da mãe. Adi respeitava seu pai, mas pela mãe tinha um amor incrível.

 Agora, o jovem Adi estava só, tinha dezoito anos. Recebeu a herança deixada pelo pai e a dividiu com sua irmã Paula, deixou Linz e partiu para Viena crendo que seria facilmente admitido na Academia de Belas Artes. Nessa aventura, partiu com ele o amigo August Kubisek. Viena vivia sua grande época com a explosão cultural e artística, cafés, óperas e concertos às margens do Danúbio. Era um centro cultural compatível com Paris, uma metrópole com dois milhões de habitantes. Mas se por um lado Viena era um encantamento por outro contrastava com milhares de desempregados, e mesmo os que tinham trabalho mal ganhavam para sobreviver. Uma massa de vagabundos e delinquentes vagava pelas ruas... Hitler era ambidestro e fazia tarefas difíceis com as duas mãos, não bebia, não fumava, e quando era possível evitava comer carne. Não se interessava por mulheres, não tinha namoradas, e justificava sua distância alegando que homens e mulheres deviam permanecer castos até o casamento. Era um sujeito solitário e peculiar, tinha crises de depressão e aversão à rotina.

 Durante três anos em Viena, Hitler recebeu uma pensão de órfão, com a qual mal conseguia comer, ele e Kubisek dividiam um quarto de pensão, o amigo conseguira ingressar no conservatório de música como queria. Adolf foi recusado na Academia de Belas Artes, porque seu talento era para a arquitetura, contudo nem Arquitetura conseguiu cursar, pela falta do diploma secundário. Após uma visita de August Kubisek aos pais, Hitler ficou furioso e brigaram. Adi então deixou a pensão e desapareceu no meio da população pobre das ruas.

 Em 1910, com 21 anos perdeu o subsídio para órfãos, seu dinheiro esgotou-se, e chegaram os tempos difíceis. Sem dinheiro e sem ninguém, trabalhador sem ofício, ele precisava ganhar seu sustento, mas não aceitava a ideia de ser funcionário público como o pai. Passou fome e frio, dormiu em bancos de praça. Varreu neve nas ruas, carregou malas, preparou cimento e carregou pedras, era um proletário como milhões de outros.

Adolf conheceu o Marxismo (sistema de teorias filosóficas, políticas e econômicas de Karl Marx - comunismo) percebeu como essa ideia política seduzia a alma do trabalhador, e observava que essa doutrina era expandida pelos judeus. Comia sopa que as irmãs de caridade preparavam, dormia em abrigos para os necessitados, e convivia com muitos judeus. Entretanto continuava a frequentar as óperas à custa das refeições do dia. Continuou a comprar livros que lia sem parar.
 Nestes anos de miséria, compreendeu que restava apenas uma esperança de salvação para o povo: um socialismo verdadeiro, que superasse a ideia da luta de classes do marxismo judeu e que não se restringisse somente ao trabalhador braçal, mas que alcançasse todas as classes. Assim Hitler se fez um socialista. 

Em 1912, as coisas começaram a melhorar, passou a pintar cartões postais da cidade. Um amigo do albergue onde vivia tornou-se seu agente, Heinhold Hanisch vendia os quadros a mercadores e fabricantes de móveis que os usavam para decorar sofás. Alguns de seus quadros foram vendidos em cafés, óperas e igrejas.


Hitler acabou fazendo uma vida razoável como pintor e trabalhava poucas horas, mas para ele o dinheiro não era suficiente, não dava para manter sua instrução com os livros e a ópera. Ele era apaixonado pelas óperas de mitologia norueguesa de Richard Wagner, idolatrava o compositor alemão, e amava o famoso personagem Siegfried. O agente Hanisch acabou sumindo com um dos quadros de Hitler deixando-o furioso, e a parceria entre eles terminou.
 Em Viena, o antissemitismo tinha se desenvolvido das suas origens religiosas numa doutrina política, promovida por homens como Jörg Laz von Liebenfels, cujo panfletos Hitler leu, políticos como Karl Lueger, presidente da câmara de Viena e Georg Ritter von Schönerer, que contribuiu para o aspecto racial do antissemitismo. Deles Hitler adquiriu a crença na superioridade da Raça Ariana. Adolf passou a acreditar que os judeus eram os inimigos naturais dos arianos e eram responsáveis pelos problemas econômicos alemães. Em 1913, Hitler deixou Viena para fugir do serviço militar Austro-húngaro, instalando-se em Munique. O seu desejo era de se afastar do Império multiétnico Austro-húngaro e viver num país racialmente mais puro como a Alemanha.

 Munique era a metrópole das artes alemã, durante o tempo em que esteve nesta cidade, Hitler mergulhou em leituras de jornais antissemitas, livros sobre política e panfletos que falavam da conspiração judaica contra o mundo. O mais famoso “Os Protocolos dos Sábios de Sião” esse panfleto supostamente escrito pelos judeus não passava de uma falsificação, o verdadeiro conteúdo era uma carta do czar Nicolau da Rússia para a população.


 Foi em Munique que nasceu dentro do coração de Hitler a ideia do Nacional-Socialismo. Finalmente, entre os sonhos revolucionários passou tempos felizes. Revoltava-se com o que lia nos jornais que falasse contra o Kaizer (Imperador) alemão Wilhelm (Guilherme II). Fugiu do serviço militar obrigatório Austro-húngaro, mas com o assassinato do Arquiduque Ferdinand, a Grande Guerra explodiu e Hitler foi encontrado pela polícia em 1914, ainda em Munique, onde continuava pintando seus cartões.


Esteve prestes a ser preso por deserção, mas em suas declarações às autoridades foi eficiente em falar da pobreza e da falta de saúde que a vida o submetera que se safou. A polícia o enviou para apresentar-se em Salzburgo, onde foi avaliado inapto para o serviço militar por ser baixo e franzino, era incapaz de carregar armas. Estava livre da obrigação para com a Áustria e vivia na Alemanha que tanto amava. Hitler e toda a multidão alemã queriam entrar para a guerra, era a época mais feliz de sua vida. Logo a Alemanha também estava envolvida no conflito, todos inclusive Hitler vibravam na Praça Odeon em Munique.


Graças a uma solicitação direta ao rei da Baviera, Adolf Hitler acabou conseguindo alistar-se na Bavária, com o direito de servir voluntariamente no 16º Regimento de Infantaria da Reserva (Regimento List). Exultante, pois imaginava que a guerra iria libertar os alemães dos eslavos, dos judeus, da Áustria.



 Hitler era este homem, que em 1918 relembrava o seu passado numa trincheira imunda em Ypres. Aquela medalha da Cruz de Guerra representava a bravura do soldado alemão, mas os companheiros de Hitler não viam coragem nenhuma nele, era um soldado de trincheira como qualquer outro. Acreditavam que o “pintor“ como era chamado recebera a medalha por pura bajulação. Adolf era um soldado que obedecia a ordens cegamente, mesmo que fossem absurdas, uma qualidade extremamente apreciada pelos comandantes alemães.


 O franzino soldado Hitler era alvo de piadas, pois não ficava pelado em hipótese alguma, desconfiavam que ele não se envolvesse com mulheres, por que lhe faltava um dos testículos. Uns diziam que na adolescência; por culpa de um judeu, uma de suas bolas havia sido devorada por um bode, mas a hipótese mais crível era que em 1916 na batalha do Somme, durante uma explosão sofrera um grave ferimento na coxa e perdera o testículo.


  

      Razan revelava sua história a Gerrard... 



– Jacques mentiu para você Gerrard, ele foi o desleal, seu irmão teve um surto! Enlouqueceu! Venho tentando avisá-lo sobre seu estado, a guerra o deixou assim, não é a primeira vez que um piloto enlouquece dessa forma, ele nem sabia de que lado estava. Com a colaboração do capitão Giraud, seu irmão passou as coordenadas para os boches nos destruírem.


 – Mas como você ficou sabendo de tudo isso?


 – Os boches haviam me capturado. Quando Jacques chegou ao local adorou saber disso. Então toda verdade veio á tona.


 – Mas porque Jacques veio se colocar em perigo naquele momento, tentando me admoestar que os boches estavam vindo?


 – Ele caiu em si! Parece que os boches o enganaram, mas ele conseguiu escapar porque queriam matá-lo. Então resolveu se vingar nos avisando. Pouco antes de você chegar naquele momento e salvar minha vida, Jacques surgiu para acabar com os boches, mas foi em vão, eles o exterminaram antes que ele pudesse apertar o gatilho. A última vez que eu o vi, havia rolado num barranco já morto.


 Amanhecera e o silêncio foi quebrado por um barulho que incomodou Gerrard – Que rumor é esse Razan? 


– Esse barulho é de um avião... 


Uma esquadrilha inglesa de bombardeiros, formada por 12 grandes aeronaves Handley Page sobrevoava o local, escoltada por caças ingleses Camel. Gerrard saiu correndo e gritando: 


– Razan, é um esquadrão de bombardeiros, vamos chamar a atenção deles. 


O tenente pegou suas tralhas e saiu correndo com Gerrard, acenando seus lenços vermelhos na esperança que pudessem vê-los, entretanto os caças e os bombardeiros sobrevoaram o lugar sem dar-lhes atenção. Gerrard prostrou-se no chão e começou a gritar: 


Mon Dieu! Voltem! Voltem por favor.


 Razan pegou pelo colarinho de Gerrard e começou a alertá-lo que os boches os tinham descoberto. Os alemães começaram a atirar, Gerrard e Razan correram e com muita dificuldade conseguiram se esconder novamente dos boches. Provavelmente as aeronaves iriam bombardear postos avançados alemães e não podiam fazer nada por eles. Diante dos fatos eles se entristeceram e começaram a pensar que iriam morrer... Algum tempo depois ouviram novamente o barulho de aeronaves. Gerrard surgiu na borda da trincheira e avistou os bombardeiros, que agora contavam apenas nove. O capitão pegou o lenço vermelho novamente e disse: 


– Vamos Razan, nós temos que tentar.


 – Não adianta Gerrard, eles não vão nos ajudar, saia daí senão os boches vão nos ver.


 – Não posso, eu prometi que levaria essa criança viva!


 Gerrard saiu correndo e acenando para as aeronaves. Os boches os viram e começaram a persegui-los. Gerrard e Razan tiveram que fugir da trincheira por que os alemães se aproximavam e atiravam para matar. Um caça Camel mergulhou enquanto outros o seguiram, disparando rajadas contra a infantaria alemã. Gerrard e Razan se abaixaram para não serem atingidos. Os Camels sobrevoaram várias vezes os infantes inimigos, os bombardeiros Handley também atiravam contra os alemães. Em poucos segundos quase todos os inimigos haviam sido destruídos, mas nenhuma aeronave pousou para resgatá-los. Gerrard começou a gritar:


 Merde! Pilotos desgraçados! O que adianta matar os alemães e nos deixar aqui para morrer!


 Uma enorme aeronave surgiu rasgando as nuvens... No cockpit o atirador dianteiro, numa instalação circular, metralhava os últimos alemães que perseguiam Gerrard. As rajadas da metralhadora Lewis e o barulho dos motores da titânica aeronave provocavam pânico e caos nos infantes alemães que tentavam inutilmente atingi-la. O bombardeiro Handley soltava fumaça num dos motores e foi obrigado a fazer um pouso forçado.


 Razan e o capitão começaram a correr na direção do avião. Quando eles estavam próximos da aeronave, alguns alemães começaram a aparecer com suas armas. Os dois atiradores que estavam no avião tiveram que disparar e aniquilar os últimos alemães que ali se encontravam.


A aeronave estava avariada e não podia alçar voo. Gerrard entendia um pouco de mecânica e tentou consertar o avião. Depois de algum tempo conseguiram com que o motor voltasse a funcionar. Gerrard resmoneava sem saber o que fazia de tanta felicidade. Atendendo ao pedido do capitão Gerrard, encontraram e colocaram no compartimento de bombas o corpo de Claudin. Todos haviam entrado na aeronave, estavam prestes a partir quando Gerrad disse: 


– Esperem! Tem um soldado vindo, é mais um sobrevivente!


 Razan se contrapôs, dizendo – Não vamos esperar ninguém! Vamos embora desse lugar; deve ser mais um maldito boche, vamos embora! 


Aquele vulto ia se aproximando mais do avião, até cair e desaparecer... Gerrard não o viu mais, e após alguns minutos decidiram ir embora. O grande bombardeiro inglês Handley expandia seu ronco, e se preparava para decolar, quando de repente o capitão ouviu algo, como que batendo na asa inferior da aeronave. Decidiu então sair do compartimento de bombas, e para sua terrível surpresa... Viu um homem preso na asa esquerda da aeronave, e já dava para perceber que não era um homem desconhecido e sim Jacques de Burdêau, irmão de Gerrard de Burdêau e amigo, ou melhor, inimigo de Razan Stocker. Sim, era Jacques que pedia quase sem voz que o socorressem. 

Percebendo o que acontecia Razan disse: – Gerrard, não dê ouvido a um traidor!


 O piloto inglês interferiu – Ele pode até ser um traidor, mas não posso deixá-lo, tenho que levá-lo para ser julgado.


 Razan falou ao capitão:  Monsieur concorda com isso Gerrard? Daria a mão a um homem desses que, mesmo sendo seu irmão, ajudou a matar todos aqueles poilus e depois tentou matá-lo?


 Gerrard não respondeu e o tenente disse ao piloto:


 – Já que o capitão não quer ajudar o soldado é melhor continuarmos, deixe que ele tombe e tenha seu próprio julgamento.


 A aeronave deixava o solo, no momento em que Jacques estava quase caindo, apenas alguns centímetros de perder a vida, o único modo de salvá-lo era que alguém lhe esticasse a mão. Ele já não conseguia mais segurar na asa do avião. Gerrard teve uma crise de consciência e, num ato de solidariedade e amor, gritou:


 – Não, Jacques! Meu irmão, eu não vou abandoná-lo!


 Gerrard debruçou-se sobre a asa da aeronave, esgueirando-se estendeu a mão para o irmão e o puxou. Quando Jacques estava quase se apoiando para entrar no avião, Razan sacou seu facão e gritou:


 – Nenhum traidor vai entrar nesse avião!


 Era a mão esquerda de Jacques que Gerrard segurava, e que num único golpe de facão foi amputada. O avião estava a alguns metros do chão... O tenente Jacques caiu de costas, gritando e agonizando, chocando-se com um buraco de lama fria. A mão foi brutalmente cortada por um demônio conhecido por Razan Stocker. Em seguida, o satânico gritou com o piloto:


– Desapareça desse lugar agora!


O piloto não hesitou e continuou a pilotar a aeronave que ainda soltava muita fumaça. Naquele momento Gerrard acertou uma pesada na arma de Razan. Os dois iniciaram uma briga. O capitão conseguiu render o tenente, ia jogá-lo do avião...


 – Olha só o que você fez!  – condenou Gerrard. 


Quando a mão de Jacques foi cortada, concentrou uma força tão grande que quase esmagou o côncavo da mão de Gerrard.


 – Olha só a mão do meu irmão, seu desgraçado! 


Razan argumentou; – Ele morreu Gerrard, esqueça. Ninguém sobreviveria à altura que ele caiu. Monsieur quer mais derramamento de sangue? Vá em frente, jogue-me lá em baixo, jogue! Monsieur é o maioral? Faça isso, mate-me!


 Gerrard não teve coragem. Apenas guardou a mão cortada de Jacques e ficou escorado num canto do compartimento de bombas, abraçado a Richard, mas ele jamais esqueceria os olhos azuis de Jacques, o modo como ele o fitou foi imortalizado, um olhar de despedida, sabia que jamais iria ver seu querido irmão novamente. A única coisa que sobrou foi a mão cortada. Daquele momento em diante a amizade de Gerrard e Razan parecia ter sido destruída para sempre.  O bombardeiro voava a mil metros de altitude a 70 Km/h. O piloto avisou que fariam um pouso forçado perto de Champagne.


 Finalmente Gerrard desvaneceu daquele lugar tenebroso onde viu a morte passar por ele várias vezes. Em certos momentos chegou a pensar que estava morto. Ele não era mais o mesmo. Era como se tivesse assinado seu próprio atestado de óbito. Quanto a Richard, parecia que não resistiria à morte. Gerrard orava para que sobrevivesse...


Logo a aeronave pousou violentamente, perdendo as rodas, mas felizmente todos saíram vivos. Alguns soldados americanos se aproximaram para prestar auxílio. Em pouco tempo uma viatura da Cruz Vermelha chegou. Um anjo de uniforme branco tomou Richard dos braços de Gerrard, que estava meio tonto, não sabia se estava vivo ou morto. Roxanne Mondevoir Saron era enfermeira-chefe da Cruz Vermelha, uma bela jovem americana de vinte e cinco anos. Era a mulher mais maravilhosa que os olhos de Gerrard puderam contemplar; loira, pele rosada, cabelos longos e encaracolados, de olhos mais azuis do que o céu. A enfermeira era responsável por um hospital de oficiais, situado perto do local onde o bombardeiro havia pousado. Ela cuidou do bebê e dos sobreviventes. Depois de receberem os primeiros socorros, Gerrard e Razan foram enviados para Paris.


 Naquela viagem de volta, o capitão pensou em Roxanne, mas seu coração já pertencia à outra mulher, ou seja; Elisabeth. Ele estava ansioso para encontrar e abraçar sua noiva fortemente. Tirou a foto dela do bolso e ficou olhando durante a viagem. Com o caminhão que transportava Gerrard, seguiam-no vários outros que também carregavam soldados feridos. Muitas pessoas esperavam os grandes guerreiros, os seus heróis de guerra. Entoavam a Marselhesa (hino nacional francês) e balançavam bandeirinhas francesas provocando muito barulho. Esperavam por seus filhos, maridos, irmãos e amigos. No semblante daquelas pessoas se podiam ver alegrias e também tristezas; otimismo pelos que voltaram e o angustiante choro daqueles cujos filhos, irmãos e maridos morreram numa guerra feita de lama e sangue. Os familiares de Gerrard e Razan não estavam esperando-lhes. O tenente Razan nascera em Marrocos, não tinha parentes, perdera os pais quando tinha apenas oito anos, vivendo nas ruas e orfanatos até se alistar no exército e mais tarde fazer carreira na Militaire Aeronáutica (Força Aérea Francesa). Era um plebeu que sonhava ser rico e respeitado. Quanto a Gerrard; provinha de uma tradicional família aristocrata do Império do Vinho no Vale do Loire.


O último caminhão da Cruz Vermelha a chegar foi o que trazia Gerrard e seu pessoal. Primeiro desceu o motorista, em seguida Razan e Gerrard, que vinha com a criança no colo. Logo após chegaram macas para socorrerem os feridos. Empunhando uma delas estava a garbosa Roxanne Mondevoir Saron, que acabara de chegar de Champagne com a Cruz Vermelha. Ela esperava pelo seu doente preferido, estava linda no uniforme branco de enfermeira. Caminhava com uma bandeirinha francesa e a ofereceu a Gerrard, que em seguida beijou-lhe a mão e disse: Mademoiselle, se meu coração não tivesse sido fisgado por minha noiva Elisabeth, eu juro que você teria conseguido fisgá-lo neste momento.


 Ela enrubesceu... Gerrard estava com Richard nos braços que se mantinha em silêncio. Roxanne perguntou:


 – Foi Monsieur quem pediu minha transferência para Paris?


 Oui, para que possa cuidar de mim e do bebê.


 – Tudo bem. O menino está melhor?


 Oui, graças a você sobreviveu. Esse anjinho conseguiu, ao meu lado, sair daquele inferno.


 Roxanne pegou a criança no colo e disse: – Eu cuido dele agora, cuidarei como se fosse meu filho.


 Em seguida foram conduzidos ao hospital, onde dezenas de pessoas prestavam reverências aos dois guerreiros, ao capitão e tenente. Homenageavam os representantes de um grupo de cinquenta homens, em que cada um abateu mais de cinco soldados alemães, isso era considerado uma proeza.


 No hospital, Razan passava muito mal. Os ferimentos das balas que perfuraram seu ombro estavam infeccionados. Gerrard bradava de dor. Os dois guerreiros ficaram com várias partes do corpo enfaixadas.


 Richard estava sendo muito bem medicado e alimentado, finalmente estava fora de perigo de morte, embora ainda muito debilitado e doente. A sua mãozinha havia sido fraturada devido a algum tombo. Em piores condições estavam Razan e Gerrard. Eles teriam que ficar pelo menos um mês em repouso.Gerrard e Razan seriam homenageados onde receberiam a Cruz de Guerra. Estava sendo cogitado um baile aos pilotos Aliados, para comemorar as recentes vitórias. Nesses bailes era lei, todos tinham que ir acompanhados de uma dama. Era simples, pois até a moça mais linda dançaria com um piloto mesmo que não fosse tão conhecido. Era motivo de orgulho para elas e o grande sonho de suas vidas.



 Os pilotos eram os ídolos do momento, qualquer mulher queria estar acompanhada e até mesmo se casar com um desses rapazes. Alguns pilotos ficaram muito famosos, quem saísse ileso daquela guerra e conseguisse vencer seus traumas se daria muito bem na vida. Mas, enquanto isso se ouvia os prantos rancorosos daqueles que, com a dor da saudade, recordavam-se de seus amigos e parentes mortos naquela guerra dissaborida que durava quatro anos.
 Dentro de algumas semanas, quando Gerrard fosse liberado do hospital estaria pronto para voltar ao front, a guerra insistia em continuar...


A americana Roxanne, da Cruz Vermelha, que prestava serviços para o Exército americano, era a funcionária mais bela de todas; era a mulher que qualquer general, coronel ou soldado gostaria de ter ao seu lado, fosse como esposa ou namorada. Mas o coração de Roxanne estava totalmente vendido, perdido pelo capitão Gerrard. O cargo de Roxanne na Cruz Vermelha era difícil, mas a vida lhe fez enfermeira-chefe. O diploma médico era dificultado para as mulheres, sua mãe era francesa e havia morrido precocemente, ela fora educada nos Estados Unidos pelo pai, um respeitado cirurgião americano que tinha ascendência judaica.


 A jovem viveu entre hospitais e feridos sendo obrigada a aprender a profissão. Quando o pai faleceu em 1917, num bombardeio, ela se viu obrigada a ocupar o lugar dele já como enfermeira-chefe, realizando inclusive várias cirurgias devido à escassez de médicos habilitados. Isso lhe custou um preconceito machista francês, no qual passou a ser mal vista pela sociedade, mas nas trincheiras, entre soldados e feridos o seu cargo a deixava á margem, era respeitada.


Alguns dias depois, Roxanne surgiu no quarto de Gerrard: – Capitão tem uma madame, Francine Ormond, querendo vê-lo, devo deixá-la entrar?Por alguns segundos Gerrard ficou sem saber o que dizer, não imaginava que madame Ormond aparecesse, era a cortesã mais bela da França, muitos a chamavam “Madame Alfazema“ por causa de seus lindos olhos azul-alfazema. Era a mulher mais cara para sustentar, um tipo de Madame Bovary, e só namorava quem ela queria; foi a primeira namorada de Gerrard, mas ele logo se cansou.  O irmão Jacques passou então a ser o amante da beldade, ele era totalmente apaixonado por ela.


 Durante a guerra Ormond foi sustentada por Jacques, ele nunca contou a Gerrard sobre sua paixão por ela, respeitava e venerava o irmão mais do que tudo. Gerrard trocava de mulheres todos os dias, mas Alfazema nunca deixou de amá-lo, ás vezes ela ainda visitava a cama do capitão.


 Gerrard acabou autorizando a visita de Alfazema. Ela entrou magnificamente linda; branca como a neve, estatura mediana, corpo e seios belos, cabelos pretos e compridos; trajava um vestido roxo, chapéu vermelho, maquiagem carregada, um perfume fortíssimo de alfazema (sua marca pessoal) que dominava todo o recinto. A beldade desfilava com uma piteira preta soltando baforadas de fumaça. Roxanne pediu a ela que apagasse o cigarro, Ormond atendeu ao pedido com expressão esnobe e dirigiu-se a Gerrard beijando-o nos lábios. 


Bon Jour mon cheri.

Bon Jour Francine.


 – E o meu Jacques?


 – Eu não quero falar sobre isso.


 – Você me deve explicações, ele era o meu amor, o único que me amou de verdade.– Não lhe devo nada. Mergulhada em soluços e com os olhos carregados de lágrimas ela disse: – Navarre e Nungesser estão esperando para entrar, posso chamá-los?


 – Com certeza, estou morrendo de saudades. Assim que eles entrarem você vai embora, é melhor não ficar por perto.


 – Está apaixonado pela enfermeira americana! Posso ver nos seus olhos, não tem problema, é para os meus braços que você sempre volta, sempre foi assim, não vai ser agora que as coisas vão mudar, e quando você se cansar das suas aventuras amorosas, eu estarei de braços abertos para lhe consolar, só eu lhe conheço como nenhuma outra mulher, só eu... Au revoir mon cheri. Ela lançou-lhe um beijo e partiu.


 Os aviadores Jean Navarre e Charles Nungesser adentraram o quarto, Nungesser se locomovia numa cadeira de rodas quando Gerrard perguntou:


 – Como vai mon ami?

– Vejo que nós estamos na mesma condição, mas pelo menos eu ainda estou voando – risos. 

– E você como vai Navarre? – perguntou Gerrard.


 – Ainda estou naquele asilo para doentes, hoje me deixaram sair para visitá-lo.
 Todos se abraçaram – Navarre disse: – Monsieur não devia ter tratado Francine daquela maneira, ela é sua amiga.


 – Isso eu resolvo depois, mas agora vamos às notícias?


 – Estão tentando me impedir de voar – respondeu Nungesser.


 Monsieur não muda mesmo, quando é que vai tomar juízo, não consegue andar, tem que ser colocado na aeronave com ajuda e ainda assim insiste em voar e derrubar alguns inimigos.


 – Quantas vezes for preciso receber ajuda para entrar no meu avião e cumprir o meu dever, eu o farei, ainda tenho muitos boches para derrubar, e além do mais René Fonck está me ultrapassando nos abates, isso eu não posso aceitar. 


Mon ami, esqueça Fonck, não vale a apena, ele só ataca os inimigos pela retaguarda, nunca será um cavaleiro das nuvens como nós, monsieur é inigualável, mas já fez sua parte, não abuse da sorte, seu avião caiu várias vezes e você não morreu, precisa se cuidar senão vai ficar aleijado de vez, ou pior, poderá perder a vida.


 – Eu sei me cuidar.


 – Estou muito feliz em tê-los aqui num momento tão difícil. E você Navarre não conta as novas?


 – E Jacques?


 – Prefiro não falar sobre isso.


 – Tudo bem.


 – Me fale logo sobre você.


 – Estou melhor, o pânico já não toma conta de mim como antes.


 – Eu posso compreender sua dor, eu também perdi meu irmão e não consigo recuperar-me, a única lembrança que me sobrou foi a mão dele que eu mandei embalsamar.


– Os dias gloriosos de 1916 nunca voltarão, após a morte do meu irmão e do meu acidente, eu nunca mais fui o mesmo; esta guerra acabou com todos nós, eu sou um fracassado, uma vergonha nacional. 


– Não diga isso Navarre, não deixe o mal tomar conta de você, não se esqueça de que sempre será um herói nacional, você é a “Sentinela de Verdun” os nossos poilus jamais esquecerão o seu Nieuport vermelho sobrevoando as trincheiras em Verdun, metralhando os boches e destruindo seus aviões.


 – Você soube o que aconteceu com seu arqui-inimigo? – perguntou Navarre.


 – Rudolph Berthold?


 Oui. Ele derrubou dois bombardeiros ingleses, mas acabou colidindo com a segunda vítima, e caiu batendo em uma casa.


 – Ele sobreviveu?


 Oui.


 – Esse desgraçado não morre mesmo – Esbravejou Nungesser.


 – Mas o acidente foi feio, parece que ficou paralisado – Acrescentou Navarre.


 – É uma pena. Eu mesmo queria tê-lo derrubado – Desabafou Nungesser.


 – Tenho uma carta para você Gerrard – informou Navarre.


 – Carta
?


 Oui, um amigo me entregou antes que caísse nas mãos do Comando Aéreo.


– Quem é o remetente? – perguntou Gerrard.


– A carta está escrita em francês, não tinha remetente, foi entregue por um mensageiro na base do Comando Aéreo, tive que abri-la para saber de quem era. A mensagem é de Ernst Udet! 


– O que! Aquele boche maldito teve a audácia de escrever para Gerrard – repreendeu Nungesser.


– Eu soube que ele  quase encontrou a morte, foi derrubado por um bombardeiro francês, aquela engenhoca do paraquedas salvou-lhe a vida, a invencibilidade de Udet caiu por terra – Acrescentou Navarre.    

                                                                     
– Eu vou ler a carta – Interrompeu Gerrard.  




Ao Capitão Gerrard de Burdêau.


 O dia 03 de julho não foi vitorioso para mim, pois avistei os Irmãos Cegonha sendo atacados pelas antiaéreas alemãs. Observei quando Jacques de Burdêau foi atingido e caiu nas linhas aliadas. A Jasta 4 que eu comandava logo se lançou sobre você Gerrard, eu precisava fazer alguma coisa antes que o matassem, então mergulhei sobre seu avião disparando na cauda para provocar uma queda, sei que consegui preservar sua vida.


 Não esqueci que somos inimigos, estou apenas retribuindo o que seu camarada Georges Guynemer fez por mim, quando teve a chance de me matar em 1917 e não o fez. Estou de licença em Munique, em breve voltarei para o front. Caro capitão Gerrard, assim que terminar de ler essa carta queime-a, não quero ser acusado de traição por confraternizar com o inimigo. 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               Tenente Ernst Udet. 



 Em seguida Gerrard destruiu a carta, despediu-se de Nungesser e Navarre, prometendo revê-los em breve.Roxanne trouxe Richard para Gerrard passar um tempo com ele. Pai e filho ficaram brincando um bom tempo sobre a letícula. A criança era linda, os seus olhos azuis se confundiam com o céu. Parecia que com o bebê próximo, Gerrard ficava mais eufórico. Aquele velho coração guerreiro se alegrava para a vida, tentava viver de novo.



 Gerrard não conseguia deixar de pensar em Jacques, que lhe parecia um homem cingido de benevolência, uma pessoa flamejante de bondade que, de repente, se insurgira com violência. O capitão refletia por que seu irmão teria feito uma coisa daquelas. O seu próprio irmão, um amigo tão bom. O que havia passado na sua cabeça para fazer aquelas atrocidades? Teria ficado louco?  Mais tarde, no quarto Roxanne perguntava a Gerrard: 


– Como está my boy?


– Estou bem melhor.


 – Meu herói, precisamos ter uma conversa seríssima. Eu tenho uma notícia e não é agradável. Na verdade é uma tragédia.


– O que aconteceu? Conte-me Roxanne, nada mais me assusta. Hoje eu sou só o vazio que resta.


 – É sobre sua noiva Elisabeth.


 – O que aconteceu com ela?


 Monsieur tem que ser forte.


 – Fale logo!


 – O irmão dela, Françoise, foi perseguido pelos alemães, mas conseguiu fugir, esteve em Paris trazendo tristes notícias. Os alemães não se contentaram em ficar nas vilas e invadiram as propriedades rurais nos Vosgues, a fazenda onde a família de sua mãe mora, perto de Guebwiller foi saqueada.


 Saint Dieu! Eu deixei Elise nas montanhas por que achei que estivesse mais segura do que em Paris.


 – Pois se enganou, muita gente morreu. A região ainda pertence aos alemães. Não querem perder a Alsácia. Quando os alemães invadiram a fazenda, Elisabeth e Françoise reagiram, ela acabou perseguida e Françoise conseguiu fugir. Sua tia Carmel foi obrigada a cuidar e alimentar os alemães, suas terras serviram de acampamento para o Exército alemão. Não encontraram o corpo de Elisabeth, mas ela deve estar morta. A última vez que a viram estava com uma espingarda enfrentando os boches com unhas e dentes, deve ter morrido como uma heroína! Pobre moça! A tragédia foi depois que enviaram uma carta á ela, em nome da Militaire Aeronáutica, em que se lia:



     Paris, 22 de julho de 1918


 Infelizmente o capitão Gerrard de Burdêau foi morto em ação, seja forte mademoiselle Elisabeth. Meus pêsames.    

                                                             
Militaire Aeronautique – Comandant Brocard 



– E Françoise?


– Sumiu, ninguém sabe... Perdoe-me, eu sinto muito, Gerrard!


 Os olhos daquele homem flamejaram-se como se jorrasse fogo deles, como se tivessem sido torrados no inferno. Ele começou a gritar e a chorar:


– Não! Primeiro meu irmão, agora a mulher que eu mais amava! Desgraça! Maldição! Eu não tenho mais ninguém, a vida não me importa, eu não quero ficar sozinho! Não pode ser! Eu fiquei entrincheirado no Marne a custa de nada!


 E Gerrad encolhia-se ao lado da letícula e continuava a dizer:


 – Eu não quero ficar sozinho não!


 Monsieur tem a Richard e a mim. Não fique assim, eu sempre ficarei ao seu lado. Não diga tolices.


 Ela o abraçou fortemente tentando apaziguá-lo. Aquela noite não seria fácil para ninguém, ainda mais agora com a notícia recente da morte de Elisabeth. 



 Enquanto isso... No inferno, no lugar mais enchumaçado de lama e sangue, no local mais inacessível, onde até a própria morte havia rondado Gerrard, alguém totalmente nu, murmurava laconicamente, transtornado... Lá estava um homem do mesmo sangue de Gerrard, saído do mesmo ventre, em outras palavras, lá estava ele, Jacques de Burdêau, tão jovem, apenas vinte e cinco anos, que se rastejava de dor na lama repleta de cadáveres, como um verme repugnante, e murmurava: 


– Razan, eu voltarei! Não importa quanto tempo passe, mas eu me vingarei!


 A voz saía rouca, quase desvanecendo, provavelmente estava morrendo. Num último impulso, ele desapareceu num buraco encharcado de lama, ensanguentado, desarrumado, desgraçado por um demônio em forma humana: Razan Stocker. E então seus olhos se apagaram...





 
                                            
                                    
                               POILU