quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A BATALHA DA SÉRVIA


A BATALHA  DA  SÉRVIA -  TRECHO  DO ROMANCE HISTÓRICO " A ÚLTIMA POESIA - DO ORGULHO NASCE  A  GUERRA "  DE  MAX  WAGNER.



No dia 22 de março de 1915, a titânica fortaleza austríaca de Prewelsl se rendeu aos russos, sendo capturados dois mil e quinhentos oficiais e 117 mil soldados que foram enviados como prisioneiros. Em março, os austríacos já haviam perdido dois milhões de homens entre mortos e feridos, pois combatiam a Sérvia, a Itália, e a Rússia, estavam quase no fim de suas forças, precisavam urgentemente que os alemães lhes ajudassem. Os alemães mobilizaram seus soldados para socorrer o aliado austríaco, primeiro precisavam destruir a Rússia. No dia 04 de agosto, austríacos e alemães atacaram os russos em Varsóvia, e depois de terríveis batalhas conseguiram expulsá-los até a cidade de Lodz. As lutas continuaram e até o dia 04 de setembro, as três grandes fortalezas russas Novogeorgevisk, Grodno e Brest-Litovsk caíram em mãos alemãs. O Czar podia mandar mais tropas, a Rússia era rica em material humano, mas estava fraca em suprimentos bélicos e comida. O gigante do Oriente teve que se entrincheirar dentro de seus próprios limites para que a Alemanha não invadisse seu território. As Potências Centrais precisam agora liquidar a Sérvia.


Depois da derrota Aliada em Gallipoli, a Bulgária decidiu unir-se às Potências Centrais no dia 06 de setembro de 1915, prometendo atacar a Sérvia o mais rápido possível. Desde dezembro de 1914 a Sérvia continha-se na defensiva dentro de seu próprio território. Os alemães, austríacos e búlgaros possuíam uma força enorme perto dos sérvios, e o marechal alemão Von Mackensen era quem lideraria a campanha definitiva contra os sérvios, eles deveriam ser varridos do mapa, desaparecer como Nação. O marechal Radomir Putnik estava responsável para tentar salvar o país da esmagadora invasão inimiga. A coalizão Áustria-Alemanha-Bulgária atacaram as fronteiras da Sérvia ainda no mês de setembro com mais de 300 mil soldados, com os búlgaros atacando pela retaguarda. Os sérvios encontraram-se numa situação trágica, estavam cercados pelos dois lados, não tinham para onde fugir. O marechal Putnik deu ordens para que a única fábrica de munições do país fosse destruída em Kragujevac, para que não caísse em mãos inimigas. Os civis e o Exército fugiam enquanto Kragujevac explodia como se fosse fogos de artifício. Os inimigos tomaram a cidade no dia 31 de outubro, e o cerco estava se fechando contra o restante do Exército e da população sérvia. O rei Pedro, seu filho Alexandre, o marechal Putnik, o Exército, a população e algumas enfermeiras inglesas conseguiram chegar a Kosovo antes que os alemães e austríacos lhes alcançassem... Era o último reduto sérvio, não tinham para onde ir, pois os búlgaros vinham de um lado e os austríacos e alemães de outro, foi quando o marechal Putnik deu ordens para que um Êxodo fosse colocado em prática. Todos deveriam partir de Kosovo e atravessar as intransponíveis montanhas através das fronteiras da Albânia.


 Era loucura, muitos não iriam sobreviver, mesmo por que o inverno se aproximava, mas não havia alternativa. A caótica e desesperada investida contra as montanhas logo teve início, todos foram divididos em quatro colunas separadas, e que cada uma conseguisse alcançar o objetivo (o Mar Adriático), se  alcançassem o mar poderiam contar com auxílio aliado dos navios, para serem levados para locais seguros. O marechal Putnik estava com a saúde muito debilitada e acabou sendo carregado numa liteira improvisada. No meio do Êxodo havia várias enfermeiras britânicas da Cruz Vermelha. A maior parte da população em fuga era constituída por velhos, crianças e membros do Exército que arrastavam consigo o que podiam; material bélico, cavalos, bois, mulas, comida e cobertores, pois o inverno se aproximava. O tifo que havia sido transmitido pelos austríacos se alastrava pelo meio dos sérvios em fuga. Era uma massa faminta de pessoas maltrapilhas e fracas que teriam que atravessar montanhas íngremes e carregadas de gelo. Os austríacos queriam dizimar todos e provocar a extinção da Sérvia. Foi uma catástrofe, milhares fugiam no meio da chuva, lama, frio e fome numa marcha infernal.

O povo sérvio não teve opção, ou enfrentavam as montanhas de neve ou seriam massacrados pelos inimigos. Muito equipamento teve que ser deixado para trás e muitas pessoas também, muitos estavam morrendo pelo caminho, o frio e a fome abraçaram muitos, uma estrada de mortos foi sendo desenhada. Durante á noite quem não conseguia abrigo morria congelado. No meio dessa massa miserável, as enfermeiras britânicas também tentavam sobreviver, abraçando animais para se aquecer e derrotar o frio. Nebrascas terríveis cobriam todos, muitos estavam sendo atacados por tribos albanesas. Os alemães pretendiam caçá-los pelas montanhas, mas desistiram, era muito perigoso e as tropas iriam morrer, preferiram esperar e cercar eles mais tarde.  Depois de muitos dias de marchas pelas montanhas congeladas, uma grande parte sucumbiu. Vários dias haviam se passado e pareciam intermináveis, os primeiros sobreviventes começaram a vencer as montanhas invencíveis no início de 1916, restava agora o que seria mais fácil, a marcha para o Mar Adriático, para que fossem salvos pelos aliados. O rei Pedro estava tão cansado que precisou ser carregado, o marechal Putnik estava inconsciente e o príncipe Alexandre precisou ser operado pelo caminho por que sua úlcera havia se agravado. Depois de tudo que haviam passado, um inimigo tão terrível quanto a neve surgiu para atrapalhar a marcha, a lama. Cento e cinquenta quilômetros de montanhas haviam sido vencidos, 20 mil civis haviam perdido a vida nas montanhas da morte, mas se não bastasse tudo isso, a chuva e a lama começaram a castigar os sobreviventes.



O gelo, a fome, o tifo e o ataque das tribos albanesas não tinham sido suficientes para acabar com os sérvios, então veio lama e a chuva que não parava de desabar, mas nem a tempestade conseguiu impedir a marcha, a vontade de sobreviver era maior... Somente no último dia de marcha a chuva cessou, os remanescentes já estavam de frente para o mar. Dezenas de navios aliados, muitos deles italianos jaziam sob a costa, porém não passavam de destroços, pois haviam sido afundados por submarinos alemães. A esperança parecia ter morrido, como se já não bastasse tanta desgraça, aviões austríacos surgiram e começaram a bombardear os sobreviventes que se aproximavam da costa, entretanto um navio italiano conseguiu atravessar os submarinos e ancorar...  As enfermeiras britânicas e alguns civis; a maioria velhos e doentes, conseguiram embarcar nesse navio. Logo surgiu outro navio, e mais outro levando a minoria, pois o restante teve que fugir, pois as tropas Autro-alemãs estavam se aproximando para acabar de vez com os sérvios. Aqueles que conseguiram embarcar foram enviados para Brindsi na Grécia e outros para a Itália, esses navios enfrentaram dificuldades pelo caminho, quase foram afundados pelos inimigos. O restante do contingente sérvio teve que fugir para o porto de Valona na Albânia, enquanto eram perseguidos pelos austríacos, era um porto mais seguro, estava sob o comando aliado, pois só dessa maneira poderiam embarcar com segurança. 



Nos dias seguintes, vinte e nove navios italianos e franceses chegaram a Valona para embarcar o que restava dos sérvios. Pelo caminho muitos desses navios quase foram afundados pelos inimigos, mas a maioria chegou às ilhas gregas de Brindsi e Corfu, escoltados pela Marinha Britânica. O rei grego Constantino protestou com a chegada dos navios, pois era casado com a irmã do Kaiser, o monarca não estava satisfeito com o desembarque aliado em suas terras, mas o Primeiro Ministro Venizelos queria dar apoio para os ingleses, por que acreditava ser melhor para os gregos. Dos 225 mil soldados sérvios e civis que haviam lutado e fugido, apenas 125 mil haviam conseguido alcançar as ilhas gregas, o restante morreu em combates, nas montanhas geladas ou simplesmente haviam se tornado prisioneiros. Dez mil vidas sérvias ainda viriam a morrer nos dias seguintes, em consequências das doenças e marchas forçadas pelas terríveis montanhas da Albânia. Trezentos mil era a soma de soldados sérvios no início da guerra, mas agora não passava de 80 mil, mais de dois terços do Exército estava fora de combate. O que restou dos homens de Pedro começou a ser treinados pelos franceses, foram reorganizados e equipados com armas e uniformes franceses. No final de 1915, toda a Albânia, Montenegro e Sérvia haviam caído em mãos das Potências Centrais. Em 1916, o Exército sérvio havia subido para 135 mil homens, novos recrutas foram incorporados, muitos faziam parte da população civil.



O marechal Putnik havia ficado exausto por causa da fuga, a gripe, bronquite e pneumonia o matavam aos poucos. Mais tarde Putnik foi demitido do cargo por causa das crises na liderança Sérvia, ele ficou amargurado com a demissão e viajou para Nice na França, onde foi recebido pelas autoridades com todas as honras, passou então a morar na França. Os aliados começaram a colocar em prática uma operação para devolver a Pátria aos sérvios. Muitos navios abarrotados com soldados sérvios passaram a ser enviados de volta para Sérvia para lutar contra os búlgaros, nessa investida os navios tiveram que atravessar o escudo de submarinos alemães, para desembarcar e conquistar a primeira cabeça de ponte na Sérvia. Esses navios quase foram afundados, mas a grande maioria conseguiu atravessar a barragem de submarinos. O combate entre búlgaros e sérvios teve início com uma carnificina terrível. O inverno impedia que a artilharia fosse bem sucedida, os combates então tiveram que ser travados corpo a corpo. Dois meses depois os sérvios conquistaram sua primeira vitória contra os búlgaros, mas não conseguiram alcançar Prilep para estabelecer um governo sérvio, temiam lançar um ataque geral nessa cidade, visto que os alemães e búlgaros poderiam desfechar um contra-ataque e destroçar os sérvios que precisavam repor suas forças. O Exército sérvio decidiu esperar junto com seus aliados franceses o momento certo para dar um golpe final contra Prilep.





MINISTRO VENIZELLOS


REI  CONSTANTINO




MARECHAL  RADOMIR  PUTNIK















REI  CONSTANTINO


PRÍNCIPE ALEXANDRE DA  SÉRVIA


MARECHAL  VON  MACKENSEN


GENERAL  OSKAR  POTIOREK


REI  PEDRO  DA  SÉRVIA 


GENERAL  CONRAD  VON HOTZENDORFF