sexta-feira, 17 de abril de 2015

A BATALHA DO MARNE - 05 de setembro à 12 de setembro de 1914.O Milagre do Marne




trecho do romance histórico, A Última Poesia de Max Wagner.

O território belga estava em mãos alemãs, os russos haviam sido vencidos em Tannenberg, os germânicos então voltaram sua carga total contra os franceses.
Aquele era o verão mais quente dos últimos cem anos, o próprio inferno na terra. O comandante do exército alemão era o marechal von Moltcke, sua principal característica era cautela e possuía um forte espírito de timidez, mas ainda assim os alemães marchavam com força total. Em Mons, os britânicos tentaram segurar o exército alemão, mas também foram obrigados a recuar, e a ala norte dos Aliados caiu, e terrivelmente o caminho para Paris estava livre, França e Inglaterra entraram em pânico, os germânicos estavam a menos de 40 km da Torre Eiffel. No dia 30 de agosto, Paris foi evacuada e o governo transferido para Bordeaux, no meio de toda essa catástrofe, o marechal Joffre mostrava-se inabalável, ele acreditava em um milagre... Os alemães conseguiriam chegar a Paris e destruir a França? Ou Joffre, o único ainda a acreditar na vitória, salvaria Paris da completa destruição?
O grosso do 1º Exército alemão, comandado pelo general Alexander von Kluck já havia atravessado o rio Marne, e naquela noite de 05 de setembro os seus soldados haviam recebido o primeiro descanso prolongado num mês de marchas e combates em que haviam coberto mais de mil quilômetros. Centenas de milhares de jovens se haviam atirado ao chão, caindo em sono profundo. Nos próximos dias esse Exército marcharia em Paris e a Alemanha venceria a guerra?
O milagre de Joffe apareceu graças à cautela de von Moltcke, que deu ordens para o general alemão von Kluck evitar Paris por enquanto e marchar ao sudoeste para acabar com o 5º Exército francês. Os homens de Kluck foram arrancados do repouso. Seus esgotados soldados teriam que realizar uma manobra impossível, a retirada de todo o 1º Exército, jogando primeiro suas tropas o mais para o norte que fosse possível a fim de atacar de flanco: na direção norte-sul, em Nanteuil, para destruir o 5º Exército francês. Mas a ordem do marechal Moltcke deixou o seu Exército alemão desprotegido, ao alcance do improvisado 6º Exército francês do general Michel Maunoury, que estava estacionado perto de Paris. Percebendo a oportunidade Joffre ordenou o ataque...
O general francês Joseph Simon Gallieni responsável pela proteção de Paris, organizou um contra-ataque para tentar barrar o rolo compressor alemão, e recebeu ordens de Jofre para que a 6ª Infantaria francesa do general Maunoury atacasse o 1º Exército alemão. A Força Expedicionária Britânica, não queria se aproveitar da manobra francesa da 6ª Infantaria, porque os britânicos e seu comandante Sir John French haviam perdido a vontade de lutar. Joffre impôs uma condição para manobrar para o contra-ataque total: assegurar-se da disposição de Sir French de lutar, e para isso fez-lhe uma visita em que declarou que (a honra da Inglaterra estava em jogo).
Diante dos apelos de Jofre, o 5º Exército do comandante britânico Franchet d’Esperey, deu meia volta e avançou para travar combate com o 2º Exército, do comandante alemão Karl von Bülow. A ordem para inverter a direção foi recebida com entusiasmo no exército de d’Esperey e seus quatro corpos atacaram poderosamente conforme iam encontrando alemães na manhã de seis de setembro. Mas os atacados eram guardas avançadas que não resistiam muito, recuando para unir-se ao grosso da tropa, mais atrás; assim, pelo fim do dia, o 5º Exército reconquistara boa parte do terreno sem grande esforço. No dia seguinte, todo o 5º Exército inglês tornou a ganhar terreno contra os alemães que se retiravam. Com essa manobra, garantiu-se a segurança efetiva do flanco da brecha para onde a Força Expedicionária Britânica estava avançando e deixou em risco a ala dos generais von Kluck e Bülow. Embora pareça inacreditável, durante a Batalha do Marne, os exércitos franco-britânicos foram salvos pelos taxistas parisienses, não havia tempo para organizar transporte, e os carros de praça acabaram convocados como auxiliares de guerra pelo general Joseph Gallieni. Conseguiram levar em 600 veículos, mais de seis mil soldados para a área dos combates, felizmente o espírito ofensivo estava vivo nos franceses, a ofensividade estava levando as tropas resistirem no Marne.
O comandante alemão von Kluck engajou as 12 divisões de seus seis corpos, um após outro, à medida que o calor da luta aumentava ao longo do rio Ourcq. Na manhã de 09 de setembro, o comandante inglês d’Esperey decidiu desviar dois dos seus quatro corpos para o general francês Ferdinand Foch, a fim de aliviar a pressão que lhe era feita nos pântanos de Saint Gond. Embora os britânicos tivessem alcançado o rio Marne no dia 8 de setembro, e começassem a cruzá-lo no dia 9, não desfecharam o golpe fatal que poderiam ter aplicado se reforçados no momento mais difícil. Quando os britânicos iniciaram a travessia do rio Marne, o resultado da batalha do Marne já estava decidido. O comandante Foch afirmou que ‘ Uma vitória é uma batalha que recusamos admitir termos perdido ‘.
No dia 09 de setembro, o Q-G alemão admitiu que perdeu a Batalha do Marne. A vitória no Marne foi considerada um milagre, pelo fato de que os Aliados tinham poucas chances de vitória, a queda de Paris parecia inevitável. Entretanto, os alemães não se sentiam vencidos, apenas estavam tomando tempo para atacar novamente. As comunicações, e os exércitos de campanha alemães haviam sido lentas e esporádicas durante toda a campanha, principalmente por causa de seu comandante (marechal Moltcke). A rede telefônica era deficiente e quase sempre destruída pelas tropas francesas em retirada. Embora cada um dos Q-Gs dos sete exércitos estivessem equipados com rádios, os aparelhos eram primitivos e sofriam a interferência do poderoso transmissor francês da Torre Eiffel.
O general Henry Wilson, subchefe do estado-maior inglês falou que estariam em Elsenborn, o ponto onde os alemães haviam desembarcado dos trens na fronteira com a Bélgica, em três semanas. Três dias depois de iniciada a retirada alemã começaram a chegar comunicados no Quartel General francês, sobre contatos feitos com inimigos em posições entrincheiradas de onde não era possível retirá-los.
Por volta de 17 de setembro, era claro que toda a linha alemã, desde Soissons no Aisne, até a fronteira suíça, havia sido estabilizada e estava sendo rapidamente fortificada. Somente no flanco entre o Aisne e o mar, onde ainda não houvera operações, é que existiam condições para operações móveis. Essas operações começariam logo e seriam realizadas com desesperada intensidade durante todo o resto de setembro. Todo o mês de outubro, com cada estágio reduzindo ainda mais a área onde os exércitos poderiam operar livremente, não havia um só metro de linha na Frente Ocidental que não fosse defendido por entrincheiramentos. Enganara-se terrivelmente o general Wilson, não seria uma vitória fácil. Chamou-se esta campanha de ‘ A Corrida para o Mar ‘. Traçada em um mapa, a frente entrincheirada descrevia um grande “S” invertido. Os alemães haviam perdido inicialmente a Batalha do Marne, entretanto a batalha não definiu quem venceria guerra, mas determinou que a guerra iria continuar.
Os alemães não queriam a perder a guerra, estavam fortemente entrincheirados...

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