terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Os Ases da Primeira Guerra Mundial - Ernst Udet a grande lenda da Força Aérea Alemã

               ASES  DA PRIMEIRA  GUERRA  MUNDIAL  


    Dentro  do  projeto “ O  Centenário da  Primeira Guerra  Mundial “ estou  iniciando  a  série  “Os  ases  da  Primeira  Guerra  Mundial ”.  Serão  biografias  e imagens  detalhadas  dos  pilotos  que  participaram  do  conflito  que  deu  início a  guerra  nos  ares. No  futuro  será  publicado  um  livro  com  o  mesmo  título. O  primeiro piloto  a  ser  retratado  é  a  lenda  da  Força  Aérea  Alemã,  Ernst  Udet.

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              FORÇA AÉREA ALEMÃ / TENENTE ERNEST  UDET/  IMPÉRIO  ALEMÃO




                                                     
         A lenda da Força Aérea Alemã, Ernest Udet, nasceu num domingo, 26 de abril de 1896, em Munique, na Baviera, e desde criança teve paixão por  máquinas voadoras chegando a criar com seus amigos um clube juvenil de construção de modelos à escala, e  de construção de suas próprias máquinas voadoras, uma das quais Udet chegou a testar, atirando-se do telhado, dando origem ao seu primeiro acidente aéreo, com apenas 10 anos de idade.

      Na adolescência Udet  trabalhou na empresa do pai, que fabricava equipamentos para  casas  de banho, nas horas livres deslocava-se à fábrica de aviões Otto Works, e conseguiu convencer seu pai a pagar-lhe lições de vôo. Com 17 anos Udet  era um moço belo, mas muito baixo, pouco mais de 1,50 de altura, o que lhe rendeu o apelido “ Knaegges”  tinha uma moto e namorava a belíssima jovem de cabelos  e  olhos  claros Eleonora Zink.

        Em 1914 quando a guerra começou, Udet estava entusiasmado com a idéia de se alistar e ofereceu-se para a embrionária Força Aérea, no entanto o fato de ter apenas 17 anos e parecer ainda mais jovem por causa de sua baixa estatura, foi rejeitado, mas  não desanimou e acabou conseguindo alistar-se no Exército, no Corpo de Estafetas Motorizados, fornecendo para isso sua própria moto, foi isso que fez entre agosto e dezembro de 1914, altura em que o Corpo foi desmembrado e Udet  foi mandado de volta para casa. Udet não se deu por vencido e decidiu tirar o brevê de piloto, pagando dois mil marcos, e conseguindo o brevê em abril de 1915, com isso decidiu se candidatar novamente à Força Aérea, dessa vez aceitaram-no e foi colocado na Flieger Abteilung (Secção Aérea 68), uma unidade de observação  que voava primitivos aviões Aviatik, nessa altura  a aviação ainda não era vista como força de combate, mas apenas de apoio, os aviões não levavam armas, nem combatiam entre si.

       Udet muitas vezes cruzou com aviões franceses sem que nenhum confronto acontecesse, mas com o passar dos meses derrubar  aviões inimigos passou a ser parte das missões aéreas, tal como lançar bombas sobre alvos inimigos, mas Udet não teve que combater com aviões inimigos enquanto voava para observação.

        Em novembro de 1915 foi transferido para a aviação de caça, no Comando de Caças de Habsheim, que era formada por  quatro pilotos, entre eles Udet,  que operava nas regiões  montanhosas  do Vosgues que  fica  na  França.  Nessa nova unidade Udet não seria um navegador para os observadores, ele voaria sozinho e iria combater os inimigos. No entanto Udet não tinha espírito para a guerra ou para matar, era apenas um jovem de 18 anos que amava voar e estar ao lado de sua amada Eleonore. Mas Udet foi colocado à prova, em dezembro de 1915, voando sozinho, encontrou um avião inimigo, era a primeira vez que avistara um inimigo que deveria ser abatido, mas sem explicação Udet entrou em choque, a idéia de disparar e matar um ser humano mesmo que fosse inimigo aterrorizava-o, ele não havia começado a voar para matar... Udet só acordou do choque quando uma rajada de balas acertou seu avião e o feriu no rosto, ele fugiu e aterrissou sem ferimentos mais graves. Então começou a questionar se teria futuro nos aviões de caça, pois não queria matar ninguém, mas foi instruído que se não matasse, outro o mataria, era a vida do inimigo ou a dele, melhor que fosse do inimigo, então decidiu treinar mais e procurar o mais depressa possível outra oportunidade para testar de uma vez por todas  sua  capacidade de  caçador dos céus, precisava provar para si mesmo que era capaz de combater...

        A oportunidade surgiu somente três meses depois, no dia 18 de março de 1916. Udet estava sozinho no seu aeródromo quando um alarme soou... Partiu sozinho no seu Fokker em busca dos inimigos que se preparavam para bombardear um alvo alemão, era agora ou nunca, Udet então engoliu o pavor e decidiu escolher um alvo e atacar. Minutos depois ele disparou contra um bombardeiro Farman francês que incendiou e caiu. Dois homens lançaram-se do avião em chamas para a morte, em seguida Udet atacou um bombardeiro Caudron, mas  sua arma travou e o avião inimigo fugiu, então Udet decidiu regressar à base quando outros caças alemães começaram a atacar a formação inimiga. Nessa noite Udet matara suas primeiras vítimas, ele e os amigos celebraram.


         O Comando de Caças de Habsheim permaneceu durante todo o resto de 1916, nesse setor calmo da Alsácia, voava sobre as montanhas dos Vosgues, os combates aéreos eram raros, a segunda vitória de Udet aconteceu no dia 12 de outubro, seis meses depois da primeira, os franceses lançaram um  bombardeio aéreo sobre a cidade de Oberndorf, e os caças alemães da região levantaram vôo em grande formação para interceptá-los, Udet derrubou um Breguet Michelin, entre os nove aviões franceses derrubados nesse combate.


       As esquadrilhas de caça logo foram aperfeiçoadas e passaram a ser chamadas de Jastas. O Comando de Habsheim recebeu a  nominação de Jasta 15, ela permaneceu nos Vosgues até março de 1917, e Udet conseguiu abater mais dois aviões franceses aumentando sua contagem para quatro aviões derrubados, uma marca bem respeitável naquele setor. Ainda no mês de março de 1917 a esquadrilha foi transferida para o Norte, para a região de Champagne, a separação de Habsheim foi muito difícil após um ano voando a bela paisagem dos Vosgues, por outro lado em Champagne estavam estacionadas as melhores esquadrilhas de caça francesas inclusive a N-03,  considerada  a  melhor esquadrilha  de  caça  da  França.  Ali  Udet iria adquirir experiência, mas também seriam tempos difíceis para a Jasta 15.  O primeiro contato com a aviação inimiga foi no dia 16 de abril de 1917, dois aviões inimigos foram derrubados. Mas o colega de quarto de Udet, o tenente Esser foi abatido e morto, os combates foram duros. Em junho nenhum dos pilotos que haviam saído de Habsheim estava vivo, restava apenas Ernest Udet.


     A esquadrilha de Georges Guynemer (o  piloto  mais  famoso  da  França) começou  a ser equipada com o  mais  poderoso  avião  francês, o Spad VII, e passou a ser denominada  Spa 03.  No dia 04 de junho Guynemer resolveu voar sozinho. Naquela manhã o aviador Ernest Udet também partiu sozinho para uma patrulha, havia sido nomeado comandante  interino e esperava destruir um avião de observação francês. Sobre a Linha de Frente, a grande altitude, Udet avistou um caça francês solitário, dirigindo-se para ele, era um membro da Spa-03. Embora apenas com 21 anos, Udet  já era um ás e veterano de combate, preparou-se então para atacar e durante vários minutos manobrou com seu adversário num duelo terrível, esperando um erro para abatê-lo, mas para sua admiração o erro na acontecia. O piloto inimigo percebeu  que  as  armas  do  Albatroz  de  Udet  haviam travado, ele não podia defender-se, tudo estava perdido, o inimigo podia matá-lo.

       No desespero Udet começou a esmurrar as suas metralhadoras na esperança de  destravá-las, o  inimigo  pilotava  um  avião  Spad  de  cor  amarelada  com  uma  cegonha  desenhada  na  fuselagem. O piloto francês percebeu o desespero de Udet e num ato de extremo cavalheirismo chegou bem perto do Albatroz de Udet e acenou, quando a aeronave estava bem próxima, para sua surpresa descobriu que o aviador  francês se tratava nada mais nada menos do que Georges Guynemer, o ás dos ases, o maior aviador de toda guerra. Guynemer continuou acenando e abandonou a luta, Udet foi embora ileso.


       Ainda no mês de junho Udet decidiu transferir-se para outra esquadrilha, pois a Jasta 15 lembrava-lhe os seus camaradas mortos e obteve permissão para se juntar à Jasta 37 que estava baseada no Norte, na Flandres (fronteira  da  Bélgica  com  a  França) ali  Udet  enfrentaria  os  pilotos  ingleses.  A  Jasta  37  era  comandada por um antigo colega de Habsheim, o tenente Kurt Grashoff. Nesse setor Udet  encontrou novidades, começou a duelar com os caças ingleses. A unidade estava baseada no aeródromo de Wyn Ghene, perto do Canal da Mancha, como opositores Udet tinha pela primeira vez o Royal Flying Corps Britânico, ao contrário dos franceses, Udet não temia os ingleses, mas respeitava-os mais, os franceses usavam táticas de ataque surpresa e depois fugiam, mas os ingleses eram corajosos e verdadeiros cavalheiros, lutavam até o fim sem fugir. Udet era o piloto com mais vitórias na Jasta 37 e também um dos mais jovens. No  final de setembro recebera a notícia da morte de Guynemer, o fato o entristeceu.


      Naquele mês de setembro Udet mostrou todo seu valor, atacando de surpresa e derrubando em poucos segundos três caças ingleses, Grasshoff ao saber do fato indicou-o como comandante da Jasta 37 na sua ausência.  Udet amava grandemente sua noiva Eleonore, em todos seus aviões  ele  escreveu o  apelido  dela “LO”. Como líder da Jasta  37 passou maus tempos nos céus da Flandres no final de 1917, uma vez seu Albatroz preto com a inscrição  “ LO ”  foi atingido por 21 balas inimigas, mas Udet conseguiu regressar a sua base vivo. Em outra ocasião o seu caça foi gravemente danificado e ao aterrissar Udet capotou, mas milagrosamente mais uma vez  conseguiu sair ileso. Nessa época começou a voar dois Triplanos Fokker: um amarelo com  algumas listras pretas e  vermelhas, e um outro Triplano preto com listras brancas, ambos com a inscrição LO, mas não se adaptou bem ao novo aparelho.

      O extraordinário ás alemão Ernst Udet  era  líder da  Jasta 37 e combatia nos céus da Flandres  como  ninguém. Em março de 1918, Udet tinha acumulado 21 vitórias e era um dos principais ases alemães, nessa altura o Exército alemão preparava-se para a Ofensiva da Primavera e toda a Frente de Combate  aguardava.

      Num dia chuvoso surgiu no aeródromo da Jasta 37, perto de Le Catêau, o ás dos ases, o homem mais importante da Forca Aérea (Manfred von Richthofen) surgiu  para  conversar  com Udet. Numa curta conversa o Barão convidou Udet a juntar-se ao seu esquadrão, o famoso Circo Voador, formado pelas quatro melhores esquadrilhas da  guerra. Sem hesitar Udet aceitou e passou a integrar a Jasta 4, nessa época Udet  voava um Triplano da Fokker  branco com listras pretas, com a inconfundível inscrição “ LO “.


     No dia da Ofensiva da Primavera, em 21 de março o Barão Vermelho reuniu suas 4 esquadrilhas de combate de elite ( Jastas 4 -10 -11-12)  formando 50 aeronaves. A Kaiserschlacht (Batalha do Kaiser) também conhecida como Ofensiva Ludendorff, foi uma série de ataques alemães contra os Aliados ao longo da Frente Ocidental. As autoridades alemãs constataram que a sua única chance de vitória seria derrotar os Aliados antes que os esmagadores recursos materiais e humanos dos Estados Unidos pudessem ser implantados na guerra. Os ataques foram inicialmente destinados a varrer as forças aliadas para longe dos portos do canal, essenciais ao abastecimento britânico, para depois atacar os portos e outras linhas de comunicação. O Barão Vermelho partiu contra os balões de observação e caças aliados transformando-se numa das mais terríveis batalhas aéreas da guerra, com aviões ingleses e franceses disparando contra os aviões do Barão.  Muitos aviões e balões de observação caíram sobre o fogo do Circo Richthofen. Nos dias da Ofensiva, Udet derrubou um avião de observação inglês e dois caças.


     No dia 05 de abril, a  primeira ofensiva batizada “ Michael ”  chegou ao fim. A sorte de Udet teve de ser interrompida, um problema num tímpano levou-o para o hospital no dia 06 de abril de 1918. O médico diagnosticou  que seria impossível Udet  voar  novamente, e foi enviado para recuperação. De volta a casa e a sua família, Udet recebeu a notícia de que tinha sido condecorado com o mais alto galardão alemão, a Ordem Pour Lê Mérite  ou  Blue Max,  dada aos pilotos com mais de 20 vitórias. Usando essa medalha que todos os pilotos desejavam, Udet passeou pelas ruas de Munique ao lado de sua noiva Eleonore Zink ( LO) olhando para  todos  que notavam a Pour Lê Mérite no seu colarinho. Poucos dias depois recebeu a triste notícia do Circo Voador, o Barão Vermelho tinha caído morto em combate nos céus da França. Udet sentiu muito sua morte, pois era seu ídolo. Nos dias que se passaram, Udet sentiu que o seu lugar era de volta a Frente de Combate e dos seus companheiros. Apesar de sua noiva pedir para que não voltasse ao front.


     Numa manhã de maio de 1918 Udet regressou ao Circo Richthofen. O novo comandante do esquadrão era Wilhelm Reinhard, que ofereceu a Udet o comando da  Jasta 4. O Grupo  Richthofen estava  estacionado em  “ Pusiex Fermé ” e  defrontava a Forca Aérea Francesa.


      Logo Udet  recebeu um dos novos caças Fokker DVII, ao qual o pintou distintivamente de vermelho com algumas listras brancas escrevendo ” LO! “ na fuselagem, e ainda escreveu no leme da aeronave  um desafio aos seus adversários “ Du Doch Nicht! “  ( Tu ainda não), queria dizer que qualquer adversário que entrasse em combate com ele não seria esse ainda a derrubá-lo. Com este formidável avião Udet derrubou dezessete aviões inimigos. No dia 29 de junho Udet foi chamado para interceptar um avião de observação francês que dirigia o fogo da artilharia sobre as trincheiras alemãs perto  de Villers Cotteretz, uma vila francesa que servia de hospital e quartel  do Exército francês. Udet decolou no seu caça Fokker inscrito com sua frase provocatória “ Du Doch Nicht ” e avistou o bombardeiro francês  modelo Breguet  a uma altitude de 600 metros, voando sobre numerosas e violentas explosões de obuses de artilharia que levantavam uma negra nuvem de fumaça, Udet então atacou o bombardeiro francês rapidamente e com a primeira rajada viu o atirador inimigo cair dentro do cockpit, o piloto inimigo virou para as Linhas Francesas tentando escapar. 

     Udet pensando ter matado o atirador, aproximou-se  lateralmente do Breguett para derrubá-lo com uma rajada no motor, foi um erro terrível, pois o atirador não estava  morto e levantando-se no cockpit disparou sobre o Fokker crivando-o de balas que caiu fora de controle. Udet estava vivo, mas morreria se não conseguisse controlar o seu avião, alguns segundos depois ficou aparente que seu Fokker iria cair  para  a destruição. Udet com sorte usava um pára-quedas Heinecke, mas apenas dois pilotos alemães haviam conseguido se salvar com o novo invento, Udet não tinha esperanças de que iria sobreviver, mas não tinha escolha, saiu então do cockpit e atirou-se para fora do avião. No entanto a força do ar empurrou-o contra a asa traseira do Fokker onde ficou preso em sua célebre frase  “Du Doch Nicht “. Udet caia agora juntamente com seu caça, num abraço mortal. Desesperadamente  Udet  tentava com todas as forças libertar-se, até que apenas 200 metros do solo soltou-se e o pára-quedas finalmente abriu-se. A queda foi muito violenta, mas Udet sofreu apenas um tornozelo torcido, de repente explosões caíram a sua volta, a artilharia inimiga tentava atingi-lo e  o ás alemão teve que correr mancando em direção as  Linhas Alemãs para salvar a vida, porém as explosões jogaram Udet no chão, mas ele conseguiu levantar-se e continuar o seu caminho. Finalmente chegou a uma trincheira alemã onde fumou um cigarro e pediu transporte de volta ao seu aeródromo. Nessa mesma tarde voou outra vez num outro Fokker e sobrevoou os destroços do seu antigo avião, um esqueleto negro consumido pelas chamas onde Udet  poderia estar.


      No dia 02 de julho enfrentou pela primeira vez os pilotos americanos, abatendo dois Nieuports 28, um dos pilotos, o segundo-tenente Walter Maker, mesmo ferido foi obrigado a aterrissar nas Linhas Alemãs, Udet então pousou perto do avião do jovem piloto americano e deu-lhe um cigarro e ficou conversando até que o auxílio médico chegasse, depois Udet recortou o tecido do leme do avião americano e guardou como lembrança. Walter Maker sobreviveu tornando-se prisioneiro de guerra.  No dia 03  de julho Udet  recebeu ordens para voltar à Alemanha para tirar uma licença.


      No dia 01 de agosto Udet  estava de volta aos combates, mas agora o líder do Circo Voador era Hermann Goering que havia substituído Wilhelm Reinhard, que tinha morrido num acidente de avião na Alemanha. No dia 10 de agosto, o  companheiro e rival de Udet  em numero de vitórias (Erich Loewenhardt) da  Jasta 11  que pilotava um  Fokker DVII  amarelo foi morto em combate.


      No período entre os  dias 1 e 21 de agosto Udet derrubou mais 20 aviões inimigos, e assim tornou-se o piloto alemão em atividade com o maior número de vitórias, sendo superado apenas pelo finado Manfred von Richthofen. No dia 22 de agosto dois balões de observação alemães haviam sido abatidos por uma esquadrilha inglesa,  a Jasta 4 de Udet  então decolou para interceptar os caças inimigos, voavam na direção de Braie, uma cidade perto das praias da Normandia, a 3.000 metros de altitude. Por baixo de Udet estava a linha de balões alemã e acima a esquadrilha inimiga, cinco caças Se5a  ingleses, eles tentavam evitar o combate, mas de repente um deles passou pelo avião vermelho e branco de Udet em direção aos balões alemães, Udet mergulhou atrás do inimigo, era o líder da esquadrilha que em pouco segundos conseguiu abater um balão alemão que queimou em chamas. O caça inglês ainda conseguiu fugir em direção a Oeste rente ao solo, mas Udet ficou irritado e começou a persegui-lo numa louca investida a pouco mais de 3 metros de altitude, desviando de árvores e postes telefônicos, Udet acabou conseguindo alcançá-lo e disparou sua metralhadora contra ele derrubando-o e alcançando a vingança almejada.

      Udet foi enviado novamente a mais um período de licença, pois Goering não queria correr o risco de perder  Udet, ele era a mais nova arma de propaganda. Por esta altura, a guerra estava a correr mal para os alemães. Devido ao bloqueio naval britânico, a Alemanha estava sofrendo de alimentos e escassez de matérias-primas. A força aérea alemã foi prejudicada pela falta de combustível, equipamentos e novos recrutas. Os aliados, por outro lado,  eram reforçados por colônias ricas da Grã-Bretanha e pelo  poder industrial dos Estados Unidos, estavam enviando número cada vez maior de aviões nos céus. A guerra ficava mais difícil a cada dia.  Para  cada aeronave alemã  que  subia outras cinco  aeronaves  aliadas voavam  contra  ela.


      Udet regressou as batalhas em setembro, e  no dia 26  derrubou dois bombardeiros americanos perto da sua base, elevando o seu número de vitórias para 62, mas nesse combate acabou sendo ferido na coxa e foi retirado para tratamento até que recebeu a triste notícia de que o Kaiser havia fugido para o exílio, a guerra havia acabado e a Alemanha assinado o armistício. Udet tinha 22 anos e foi recebido como um grande herói pelos seus compatriotas.


     Era o fim de um período para todos os aviadores que participaram da Grande Guerra. Embora as batalhas aéreas tivessem deixado milhares de mortes e mutilações,   foi considerada a guerra mais limpa durante aqueles quatro anos terríveis, muitos ases prezaram a honra e o cavalheirismo. Embora desejassem o fim da guerra, os pilotos que sobreviveram jamais esqueceriam aqueles que foram os momentos mais importantes de suas vidas...



Texto: Max  Wagner -  escritor  e  historiador,  autor  do  romance  “ A Última  Poesia “  que  retrata  a  Primeira  Guerra  Mundial. 


        ILUSTRAÇÕES  DE  ERNST  UDET   E  DOS  SEUS AVIÕES



























3 comentários:

Unknown disse...

Realmente, um grande piloto. Meu preferido nesse conflito foi o alemão Werner Voss, com 48 vitórias. Parabéns pela postagem.

MAX WAGNER - escritor e historiador disse...

Werner Voss foi o piloto mais destemido de toda a guerra, teve uma morte heroica enfrentando vários pilotos ao mesmo tempo, a maioria deles eram os maiores ases da Grã-Bretanha, crivou de balas todas as aeronaves inimigas, podia ter fugido, mas não o fez, lutou até suas últimas forças. No meu próximo livro "O Silêncio das Armas" que será publicado em 2016, contêm a biografia completa de Voss, vou publicar no blog assim que possível.

Unknown disse...

Antes da PGM começar, fez parte da milícia Krefild. Com o início da guerra, foi transferido para a Westphalian Hussar Regiment. Cansado da guerra terrestre, pedira transferência par o Luftstreitkfafte. Juntou-se ao Cap. Boelcker, no Jasta 2, uma unidade formidável, que incluía o talentoso Manfred von Richthofen. Werner Voss, foi abertamente reconhecido pelo amigo Richthofen, como o seu rival mais próximo. O combate travado por ele, com o 56º Esquadrão, comandado pelo Cap. James McCudden, foi épico. Ele teve uma carreira brilhante e, um final digno de honra. Aguardarei ansiosamente pelo livro. Tenha um bom dia.