quinta-feira, 24 de agosto de 2017

RESENHA A CASA DE PAPEL - CARLOS MARÍA RODRÍGUEZ


casa-de-papel

A Casa de Papel - Uma incrível história da paixão desmedida pelos livros
                                             

60050_262
   
   Título: A Casa de Papel
   Autor: Carlos María Domínguez
   Editora: Realejo                                               
   Páginas: 96
   ISBN: 9788589362658
   Ano: 2014

   Onde Comprar: Estante Virtual - Realejo 

   Sinopse: A Casa de Papel  é um  romance de  apenas     96    páginas do  escritor argentino Carlos    María   Domínguez,  publicado em 2014  pela  editora  Realejo, tornou-se um best-  seller com 150 mil      exemplares  vendidos. A obra pode  ser lida  num único    fôlego,  prende o leitor do início ao fim, um suspense    que  mistura loucura e paixão pelos livros. Narrado em  primeira  pessoa, a trama começa na primavera de  1998 em Cambridge,  quando Bluma Lennon, uma professora de espanhol é atropelada  e acaba morrendo. Ao que tudo indica a causa da morte foi um  livro de poemas de Emily Dickinson que ela lia quando o acidente  aconteceu.   

            

   Um professor e ex-amante de Bluma acaba se envolvendo na trama quando tem contato com um livro manchado de cimento e uma intrigante dedicatória de Bluma, a obra trata-se de A Linha da Sombra de Joseph Conrad. Intrigado, o professor viaja para Buenos Aires à procura de um estranho bibliófilo que tem algum tipo de ligação com Bluma.

 Na Argentina o professor encontra Delgado, o obscuro colecionador de livros que ele procurava. O bibliófilo passa a contar ao professor sobre a vida de Carlos Brauer, um homem que se tornara insano por causa da literatura. Ele mergulha na loucura pelos livros e não encontra limites ao seu desejo de conhecimento e de reunir obras para construir uma casa feita de cimento, livros e tijolos.

 Os livros tornam-se o ar que ele respira, ele se desfaz dos seus bens para mergulhar nessa jornada insana. Todos os cômodos da casa de praia estão abarrotados de livros: manuscritos, pergaminhos, livros antigos ocupam até o banheiro, Brauer abre mão de todos os confortos que uma casa pode oferecer para preservar os seus livros. Com o tempo ele acaba sendo tragado pelos milhares de títulos da sua biblioteca.  
Resenha:  A Casa de Papel é um livro curto, mas que diz muito em poucas palavras. Um dos grandes segredos de um bom escritor é a concisão, e Carlos María Domínguez desenvolve isso com maestria. É uma leitura leve e dinâmica, uma escrita de fácil compreensão, e que possui informações culturais riquíssimas. Vários livros e autores são citados fazendo o leitor viajar por cada um deles. A obra está repleta de subtextos.
 O livro é fantástico, revela um amor extraordinário pelas bibliotecas e pela leitura. Um suspense sensacional que envolve metafísica levando o leitor entre a realidade e a fantasia. Bluma é uma personagem que foi envolvida nessa trama onde as histórias dos livros parecem ter tomado vida.
 Altamente recomendável por que se lê em poucas horas, faz mergulhar na história, uma busca que envolve pessoas, livros e um reconhecimento maior pela literatura. É uma homenagem a tantos bibliófilos, assim como o saudoso José Mindlin que chegou a possuir mais de 40 mil livros.
14

A edição da Realejo ficou muito boa, o papel é leve e de boa qualidade tornando a leitura dinâmica, a capa é bem sugestiva, não encontrei erros de diagramação ou de Gramática, realmente ficou sensacional. 
Opinião: A Casa de papel mostra o quanto os livros revolucionam as vidas das pessoas, é um livro que traz empatia e identificação, mas também desespero e agonia. Os livros podem ser perigosos, mas também podem ser encantadores, acolhedores e edificantes.  Ler livros é um ato solitário, mas aqueles que se dedicam a essa jornada têm suas vidas transformadas para sempre.  
 Depois da leitura da obra de Domínguez ninguém sairá indiferente, ou vai amar ainda mais os livros ou passará respeitar a literatura. Uma das maiores armas contra o mundo em que vivemos é o livro, ele é uma das grandes curas da humanidade. A arte aproxima as pessoas, e a literatura pode ser o grande elo entre muitos.
carlos-maria-dominguez-615
O Autor: Carlos María Domínguez nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 23 de abril de 1955,  é escritor, editor e jornalista argentino. Vive em Montevidéu, Uruguai, desde 1989. Ele começou como jornalista na revista Crisis de Buenos Aires, da qual ele era secretário editorial e diretor. Em Montevidéu, foi editor-chefe da Brecha Weekly, onde também colabora com  páginas literárias e editor do semanário Pesquisa. Ele também exerce críticas literárias no Suplemento Cultural do jornal El País. Ele é autor de mais de 20 livros, nos gêneros de romance, história curta, cronogramas de viagem, biografias e duas peças.

terça-feira, 18 de julho de 2017

ROMANCES HISTÓRICOS

No mês de maio eu tive o privilégio de participar da FLIPOÇOS - Feira do Livro de Poços de Caldas - MG, na ocasião eu compartilhei com o público uma palestra sobre romances históricos, então decidi trazer o texto para os leitores do meu blog.



A minha paixão por História surgiu por causa do livro “A Máquina do Tempo” do escritor H.G. Wells, eu li o livro quando tinha dez anos, eu me via viajando através do tempo, conhecendo épocas pelas quais a humanidade passou. Desde então me tornei apaixonado por romances históricos. 

O romance histórico é um gênero literário que mistura história e ficção, reconstruindo acontecimentos, costumes e personagens de época. O romance histórico surgiu durante o Romantismo no início do século XIX, logo se celebrizou com obras como Ivanhoé, de Walter Scott. Narra a luta entre saxões e normandos, as intrigas de João sem Terra para destronar Ricardo Coração de Leão. É considerado o primeiro romance histórico do Romantismo. A obra surgiu num momento em que se procurava exaltar o nacionalismo, e obteve um enorme sucesso. Nele os valores da cavalaria medieval são enaltecidos, assim como o heroísmo inglês. Embora fosse protagonizado pelo cavaleiro Wilfred de Ivanhoé, são os personagens quase anônimos que encontram maior destaque do que este, a exemplo de Brian de Bois Gilbert, um templário, vilão que realiza várias maldades. 

Alexandre Dumas talvez tenha sido o romancista histórico mais famoso, publicou obras que se tornaram grandes clássicos: Os Três Mosqueteiros, O Homem da Máscara de Ferro e Rainha Margot, o transformaram no grande mestre de romances históricos. Temos outros exemplos de romances históricos que viraram sucesso: Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano e Guerra e Paz de Leon Tolstói. O filósofo húngaro Lukáks afirma, sobre o romance histórico: exige uma narrativa capaz de reconstituir com minúcia os componentes sociais, jurídicos e culturais que caracterizam essas épocas. A composição das personagens e dos cenários é feita de modo que estejam em concordância com documentos e dados históricos, oferecendo ao leitor uma noção da vida e dos costumes da época.

No Brasil, há importantes obras que reconstroem com detalhes a história do país, sendo José de Alencar um dos primeiros a escrever esse gênero, com assuntos sobre escravos e índios. Os romances indianistas de Gonçalves Dias também são considerados romances históricos, pois também tratam de temas de época. 

Nos últimos tempos, uma febre de romances históricos tomou conta do mundo. O melhor romance histórico brasileiro que eu li foi “A Casa das Sete Mulheres” da escritora gaúcha Letícia Wiershowski, sobre a Revolução Farroupilha que se tornou série na Globo. Tivemos também a trilogia “O Tempo e o Vento” do Érico Veríssimo que narra a saga de uma família através dos tempos contando a história do Rio Grande do Sul. Eu ainda não tive o privilégio de conhecer o Sul, mas me apaixonei pela região através da Literatura. 

Temos autores muito bons que escreveram história através de escrita jornalística, às vezes são confundidos com romances históricos por que se parecem muito com literatura, são tão bons que até confundem o leitor.   Fernando Morais (Olga, Château – O Rei do Brasil, Corações Sujos), Laurentino Gomes (1808, 1822, 1889). Para mim o melhor escritor brasileiro na atualidade, aliás, é uma escritora, se chama Mary Del Priore, autora de livros fantásticos sobre a História do Brasil, recentemente ela publicou o seu primeiro romance histórico “Beija-me onde o Sol não Alcança” sobre uma ex-escrava que se relaciona com um fidalgo, os escândalos da época, preconceitos, etc...

O escritor francês Max Gallo é um dos meus favoritos, publicou romances importantes sobre a História da França; Robespierre, Napoleão, Garibaldi, Resistência Francesa, entre outros. O autor Maurice Druon que também nasceu na França, publicou a série "Os Reis Malditos" sobre a história do rei Felipe - O Belo, Templários e o Grão Mestre Jacques de Molay. Temos também o autor estadunidense Jeff Shaara com seus romances sobre a Guerra Civil Americana, Independência dos Estados Unidos, Primeira e Segunda Guerras Mundiais. O romancista galês Ken Follett também não poderia ficar de fora, escreveu romances históricos incríveis, trilogia "O Século" que aborda as guerras dos últimos cem anos, entre  muitos outros.

O grande autor de romances históricos da atualidade é o britânico Bernard Cornwell, não é a toa que ele é o meu preferido. A saga Crônicas Saxônicas com 10 volumes publicados virou uma série de grande sucesso com o título “O Último Reino”  que conta a história de Essex, o único reino da Inglaterra que não foi conquistado pelos Vikings. Alfredo, o rei de Essex procura unir os outros reinos britânicos que foram dominados para lutar contra os invasores. Cornwell também é autor de “As Aventuras de Sharpe”  uma saga em vinte volumes que abordam as guerras napoleônicas, é um grande sucesso de vendas no Brasil, entre muitas grandes obras. O penúltimo livro de Cornwell publicado no Brasil foi “Guerreiros da Tempestade” está na lista dos livros mais vendidos do mundo.

Temos ainda as fantasias históricas, mas que foram inspiradas em história real. O Senhor dos Anéis foi inspirado nas experiências que Tolkien teve na Primeira Guerra Mundial, Game Of Trones de George R.R. Martin foi baseado na Guerra das Rosas que fez parte da Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra. A importância dos romances históricos é enorme por que aprendemos História de forma super prazerosa, não é mais um peso, é fantástico. A minha paixão por História se deve aos romances históricos.


                                                          OBRAS CITADAS








 










FOTOS DE MAX WAGNER NA FLIPOÇOS



























segunda-feira, 26 de junho de 2017

A BATALHA DO AISNE E OS MOTINS


             Há cem anos, por muito pouco a França não perdeu a Primeira Guerra Mundial. Trecho do romance A Última Poesia – Do Orgulho Nasce a Guerra de Max Wagner.


Desde setembro de 1916, os alemães detinham superioridade aérea contra os aliados, por causa da formação de suas esquadrilhas de caça. Principalmente pelo comando de Manfred von Richthofen.  Em abril de 1917 durante a ofensiva britânica de Arras que era o assalto preliminar para a Batalha do Aisne, o Circo Voador do Barão Vermelho infligiu uma grande derrota na Força Aérea Britânica. Ficou conhecido como Abril Sangrento. Custaram pesadas perdas ao Royal Flying Corps (RFC) em relação aos seus oponentes alemães da Luftstreitkräfte.

Para a batalha o RFC possuía 385 aeronaves contra 114 alemãs. Achavam que venceriam fácil, mas não foi o que aconteceu. As diferenças táticas, tecnológicas e de treinamento entre os dois lados com vantagem dos alemães, levaram os britânicos a sofrerem perdas de quatro vezes mais que os alemães.

A derrota foi tão desastrosa que abalou a moral de todas as esquadrilhas, o RFC perdeu um terço de toda sua força aérea. Apesar disso, contribuíram para o sucesso da campanha terrestre em Arras. A força aérea germânica restringia suas operações ao território "amigo", com isso reduzindo a possibilidade de perdas de pilotos e aumentando a quantidade de tempo que eles podiam permanecer voando. Mais do que isso, eles podiam escolher quando e como entrar em um combate aéreo.

Os britânicos perderam 275 aviões somando 207 mortos, somente a Jasta 11 de Richthofen abateu 89 aeronaves, os alemães perderam apenas 66 aeronaves. A batalha de Arras foi um ataque inicial  para que os franceses atacassem no Aisne, sob o comando do general Nivelle.

                   
A guerra atingira um impasse sem solução na França. Por três anos, os inimigos vinham se defrontando na Terra de Ninguém. As tropas esgotavam-se numa série de ofensivas ineficazes. Nesta batalha de atrito, a França sofreu mais que qualquer outra nação. A guerra não só estava sendo travada em solo francês como também suas perdas humanas foram mais pesadas. As baixas totalizavam cerca de 2,25 milhões de homens. O desgaste da nação se fazia sentir. Os soldados e os civis estavam totalmente desiludidos.

O comandante Joseph Joffre de 64 anos, comandante-chefe do Exército francês foi combatido por deputados franceses. Forçaram o primeiro-ministro francês, Aristide Briand, a demiti-lo. Joffre recebeu o título honorífico de Marechal da França e foi colocado no posto de conselheiro militar do governo e substituído pelo general Nivelle.

O general Nivelle era um ativo membro da artilharia, tinha sessenta anos, alcançara fama como comandante em Verdun, ele acreditava ter a fórmula infalível para a vitória. Nivelle provocou tumulto, ao reformar bruscamente os planos para uma ofensiva aliada de 1917. Ele planejou um assalto francês maciço num setor de 50 quilômetros, em Soisson-Reims, flanqueando o rio Aisne.

Quase um milhão de homens participaria da ação: uma força de três Exércitos franceses. Esta concepção contrariava todo o pensamento militar. Nivelle depositava sua confiança num rápido ataque de surpresa. Todo o setor, mantido por dois anos pelos alemães, era coberto de fortificações, com canhões e armas automáticas.

Um frio terrível desceu sobre a Frente Ocidental, retardando os preparativos para a ofensiva, intensificando o sofrimento das tropas, que se amontoavam em suas trincheiras geladas, e deprimindo seu moral já baixo. Em seguida, todo o plano de Nivelle foi ameaçado por uma importante retirada alemã. Os alemães começaram a se retirar do setor de 144 quilômetros de Arras-Noyons-Soisson (a oeste da linha Soisson-Reims) para a fortemente defendida Linha Hindenburg.

Conforme prosseguiam os preparativos junto ao rio Aisne, no intenso frio, fora perdido um elemento essencial para o sucesso francês: a surpresa. Era impossível esconder do inimigo os preparativos. O desânimo estava no seu ponto mais alto. Foi quando Nivelle conseguiu uma vitória psicológica. Produziu uma espetacular mudança de ânimo no Exército por meio de um esforço concentrado para elevar o moral. O desânimo desapareceu, a disciplina e a postura melhoraram.

Quase não existiam medidas de segurança em relação à ofensiva. Era discutida abertamente e com grande otimismo. O general Alexandre Ribot e seus colegas estavam tão preocupados que, no dia 06 de abril de 1917, reuniram um conselho de emergência, em Compiégne, para decidir se o ataque deveria acontecer conforme o planejado.

O presidente francês Raymond Poincaré, ministros e chefes do Exército, se reuniram no trem do presidente. Todos manifestaram suas dúvidas a respeito da ofensiva. Nivelle defendeu o sucesso da ofensiva. Percebendo que não conseguira apoio, se demitiu.

Sem alternativas, o presidente Poincaré apressou-se em reafirmar a Nivelle a confiança do governo, e deu-lhe responsabilidade para continuar com a ofensiva. Nivelle alcançara seu objetivo e ordenou um ataque preliminar britânico em Arras e depois de uma semana, na madruga de 16 de abril, o assalto geral foi lançado.

Cinco mil canhões dispararam milhares de projéteis, mesmo assim foi um desastre, 40 mil franceses morreram no primeiro dia. Desde as primeiras horas o fracasso ficou evidente, tropas francesas tentaram cortar o arame farpado, mas foram massacradas pelo fogo das posições inimigas, e pelo fogo mal orientado dos próprios canhões franceses de 75 milímetros.

Em quinze dias o ataque já tinha acabado. Em vez da prometida ruptura das linhas inimigas, as tropas de Nivelle conquistaram uns poucos quilômetros de terreno ao preço de quase 200.000 baixas. A nova euforia entrou em decadência total. A reação foi uma catástrofe, os homens de Nivelle se revoltaram. Elementos de 54 divisões se recusavam a obedecer a ordens, realizavam demonstrações, desertavam, clamavam pela paz, brandiam bandeiras vermelhas, ameaçavam ou tentavam marchar contra Paris para derrubar o governo.

O futuro da França parecia estar selado, a Alemanha provavelmente venceria a guerra em pouco tempo. Os americanos haviam declarado guerra à Alemanha, mas provavelmente não chegariam a tempo de salvar os aliados.

O marechal Jofre ganhou força com a derrota de Nivelle, e foi encarregado de chefiar a Delegação Francesa que viajou aos Estados Unidos para planejar a salvação da França com o general John Pershing, comandante da Força Expedicionária Americana; que lutaria contra os alemães na Europa.

No momento mais grave, apenas duas divisões francesas de confiança estavam postadas entre Soissons e Paris que ficava 96 quilômetros de distância. Por incrível que pareça, os alemães não souberam das insurreições. Se o Exército alemão tivesse reagido, o curso da guerra teria sido alterado de maneira terrível. Os alemães descartaram as informações que receberam através de agentes secretos ou prisioneiros que escaparam dos franceses.

O motim foi tão bem camuflado que nem mesmo os aliados britânicos souberam, a verdade é que desde o início da guerra, franceses e ingleses agiam como se não fossem aliados, eram forças independentes que disputavam entre si a glória de derrotar o Império Alemão.

Houve desordens em trens militares em estações de estradas de ferro. A primeira eclosão teve lugar a leste de Reims, onde, ao ser mandado de volta à linha de frente, depois de apenas cinco dias de descanso, um regimento de infantaria se recusou a partir. A desordem tomava conta das oito divisões que haviam lutado em Chemin des Dames. Um dos motins envolveu um regimento de infantaria de elite, que havia lutado bravamente em Verdun e, desde então, tinha estado constantemente em ação.

No início de junho, os motins foram piores. No dia 1º de junho, um regimento perto de Tardenois que também tinha boa folha de serviços foi mandado para frente de batalha depois de um breve período de descanso. Cantando a Internacional (hino da Revolução Russa), os soldados marcharam em direção à Prefeitura local, protestando. O levante era um protesto espontâneo de tropas desesperadas, e não uma insurreição planejada. Muitos soldados se viam a si mesmos como grevistas, não como amotinados.

As tropas francesas já tinham uma longa lista de queixas, relacionada com as enormes perdas desnecessárias, disciplina dura, péssimas condições de bem-estar. O fracasso do Aisne foi o limite para uma insurreição. As tropas de combate não tinham mais forças. Era um Exército sem fé, os motins foram encorajados pela Revolução Russa, que abalou o mundo em março. Até o fim de junho, tinham ocorrido mais de 170 interrupções de trabalho nas fábricas de material de guerra de Paris e das províncias.


O salvador de Verdun, general Pétain foi nomeado para restaurar a paz no Exército. Os contatos pessoais dele com as tropas ajudaram muito. Durante essas semanas, seu carro deixava o QG, em Compiégne, para uma visita geral às formações do Exército. Em cerca de trinta dias visitou noventa divisões. Ele era um homem alto, com seu bigode e olhos azuis; falava individualmente com soldados, ouvindo suas queixas e sugestões.

Pétain tinha 61 anos de idade, ficara famoso como o salvador de Verdun, era o homem certo para substituir Nivelle como Comandante do Exército. Seu método de tratar os motins foi uma mistura de firmeza e humanidade. No início, Pétain tratou de liquidar a desordem e punir os líderes. Fortaleceu a autoridade de seus oficiais, tomou medidas para conter o alcoolismo, um poderoso fato na inflamação das revoltas. Furioso com o fracasso do governo em reprimir os grupos derrotistas, atacou os ministros com exigências para que agissem.

Finalmente os homens sentiam que alguém se preocupava com seus interesses, que eram considerados como seres humanos. No fim do verão, o Exército francês começou a ser recomposto. Enquanto muitos dos amotinados condenados receberam penas pesadas, apenas 55 dos 412 condenados à morte, entre maio e outubro, foram executados.

Agora era necessário reprimir a frente interna. O velho Georges Clemenceau emergiu do isolamento político para tornar-se o Primeiro-Ministro. Clemenceau era um líder de outro tipo, um inimigo de todos os elementos que considerava antipatrióticos, não temia partido ou facção. Começou a reprimir os grupos que considerava derrotistas. No fim, Pétain e Clemenceau salvaram a França  da  derrota  total.



Alexandre Ribot


General Nivelle


Georges Clemenceau


                                    Manfred von Richthofen no filme Red Baron


                                         O Circo Voador no combate de Arras




               Aviões alemães e britânicos da ofensiva  de Arras










              Amotinados franceses em 1917



         Imagens reais da batalha do Aisne e algumas ilustrações do                 jogo Batlefield 1 












General Pétain


Presidente Poincaré


Marechal Joffre


Cena do filme Glória feita de Sangue - Soldados franceses são executados sob acusação de covardia.