sexta-feira, 22 de junho de 2018

RESENHA - O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - A LONGA TRAVESSIA - CARLOS DARÓZ

 Sinopse:  Essa história merece ser contada em todos os seus detalhes. Nesta obra, Carlos Daróz, especialista em História Militar, faz uma narrativa da nossa presença na guerra e mostra qual foi a real contribuição do Brasil para os Aliados no conflito e as consequências disso para o país.


  Título: O Brasil na Primeira Guerra Mundial - A   Longa Travessia 
  Autor: Carloz Daróz 
  Editora: Contexto   
  Páginas: 208    
  ISBN: 9788572449526
  Ano: 2017    
  Onde Comprar:  Editora Contexto

Resenha: Em 2016 eu publiquei o livro “A Última Poesia – Do Orgulho Nasce a Guerra” o primeiro romance sobre a Primeira Guerra Mundial publicado por um brasileiro. Foi nessa época que conheci o Carloz Daróz, professor, historiador, escritor e major do Exército Brasileiro. Ficamos amigos e passei a admirar o seu trabalho, eu o considero o maior historiador militar do Brasil. Temos trocado muitas conversas e informações, ele irá prefaciar o meu próximo romance O Silêncio das Armas. Ele é autor do livro “O Brasil na Primeira Guerra Mundial – A Longa Travessia” a obra mais completa sobre a participação do Brasil na Grande Guerra. A Livraria Cultura me presenteou o livro para que eu escrevesse a resenha. Poucos conhecem a participação brasileira no primeiro grande conflito do século passado. A Primeira Guerra Mundial chegou ao Brasil pelo mar, quando navios mercantes brasileiros começaram a ser afundados por submarinos alemães, que desenvolviam uma campanha de bloqueio naval contra a navegação Aliada. Diante dos ataques, o Brasil reconheceu estar em estado de guerra contra a aliança liderada pela Alemanha e uniu-se ao esforço internacional contra os germânicos.

Carloz Daroz já publicou obras importantes sobre História; As Invasões Holandesas, Aviação na Revolução de 32, As Bruxas da Noite – As mulheres russas na aviação da II Guerra Mundial, mas seu último trabalho que aborda a I Guerra me impressionou bastante. O autor brasileiro mais conhecido que produziu textos sobre a I Guerra Mundial foi Julio de Mesquita, o importante jornalista e proprietário do jornal Estado de São Paulo, mais tarde o seu trabalho foi compilado e publicado. Embora Mesquita não tivesse estado nos campos de batalha, correspondia-se por cartas no mundo inteiro com aqueles que viram o conflito de perto.

Opinião: Carloz Daróz é autor da Editora Contexto, na minha opinião é a melhor editora de livros didáticos do Brasil. Ninguém escreveu um trabalho tão completo sobre o Brasil na I Guerra quanto Carloz Daróz. Eu pesquiso sobre esse conflito há mais de vinte anos e posso assegurar que nunca havia lido um trabalho tão completo e sucinto. Desde o início do conflito, a neutralidade brasileira, os dois grupos rivais: germanófilos que eram contra a entrada do Brasil na guerra e os nacionalistas liderados por Rui Barbosa que fizeram de tudo para o Brasil entrar na guerra. A perseguição contra os alemães, o afundamento de navios brasileiros pelos submarinos U-boats, a entrada dos brasileiros no conflito, a Missão Médica Militar, a Marinha, o Exército e os primeiros pilotos brasileiros. O livro é realmente incrível, uma leitura indispensável para alunos, professores e amantes da História Militar que traz a memória pouco conhecida das Forças Armadas do Brasil no conflito que acabou há um século.


Sobre a Edição: A capa é sensacional, a impressão, diagramação, revisão e o papel são de alta qualidade. O texto foi bem escrito deixando a leitura leve e dinâmica. A Editora Contexto está de parabéns, caprichou bastante na edição e o livro conta ainda com boas fotos da época.


Sobre o Autor: Carlos Daróz é historiador militar, professor, pesquisador e oficial de Artilharia do Exército Brasileiro. Obteve seu bacharelado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras e diplomou-se mestre em Operações Militares na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Com licenciatura em História pela Universidade Salgado de Oliveira, especializou-se em História Militar pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e pelo Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. Leciona no curso de pós-graduação em História Militar da Universidade do Sul de Santa Catarina. Autor dos livros: As A Guerra do Açucar - As Invasões Holandesas no Brasil, Um Céu Cinzento - A Aviação na Revolução de 32, As Bruxas da Noite, O Brasil na Primeira Guerra Mundial – A Longa Travessia.
Blog Carlos Daróz



A
 Nesses anos de Contexto, muitas coisas aconteceram em nosso país, entre as quais a redemocratização, a universalização da educação escolar, a aceleração do processo de urbanização, conquistas sociais de minorias e de mulheres, a afirmação do português brasileiro como forma autônoma da língua, várias crises econômicas e a emergência do Brasil como protagonista no concerto das nações. Sobre todos esses assuntos e muitos outros, a Editora Contexto publicou livros importantes. São várias centenas de livros editados, a maioria deles ainda em catálogo, o que ilustra a cumplicidade entre suas escolhas e o interesse do público. São muitas centenas de autores, dos mais destacados em cada área, e milhões de exemplares circulando em papel e para leitura digital. Sua vocação declarada sempre foi a de promover a circulação do saber.

A Editora Contexto tem uma história e muitas histórias. Desde 1987, a Contexto esteve sempre amparada na missão de diminuir a distância existente entre o saber produzido na Universidade e seus possíveis consumidores, estabelecidos em diferentes pontos da sociedade brasileira. Daí a preocupação, desde o início, de produzir livros de alta qualidade, sempre com uma escrita fluente, clara, agradável. A Editora surgiu de um sonho amadurecido pelo seu fundador, Jaime Pinsky, ao longo de sua vida como professor da UNESP, da USP e da Unicamp, tendo sido montada inicialmente em sua casa. Após a década de 1990, com a editora já consolidada, chegou o momento de ousar um pouco mais, produzir livros de referência, para a academia, e “livros de livraria”, além de reforçar nossas linhas habituais com traduções e títulos de maior envergadura e peso. Cresceu nas áreas de Economia, Turismo, Comunicação (especialmente Jornalismo) e Educação. Em Linguística, Geografia e História, seus livros tornaram-se referência frequente de matérias jornalísticas, teses, pesquisas, concursos, vestibulares e até em pronunciamentos de juízes em tribunais.

Nesses anos de Contexto, muitas coisas aconteceram em nosso país, entre as quais a redemocratização, a universalização da educação escolar, a aceleração do processo de urbanização, conquistas sociais de minorias e de mulheres, a afirmação do português brasileiro como forma autônoma da língua, várias crises econômicas e a emergência do Brasil como protagonista no concerto das nações. Sobre todos esses assuntos e muitos outros, a Editora Contexto publicou livros importantes. São várias centenas de livros editados, a maioria deles ainda em catálogo, o que ilustra a cumplicidade entre suas escolhas e o interesse do público. São muitas centenas de autores, dos mais destacados em cada área, e milhões de exemplares circulando em papel e para leitura digital. Sua vocação declarada sempre foi a de promover a circulação do saber.

terça-feira, 19 de junho de 2018

A ÚLTIMA POESIA - DO ORGULHO NASCE A GUERRA - PDF E EPUB




Dois anos após a publicação do único romance sobre a Primeira Guerra Mundial publicado por um brasileiro, A Última Poesia - Do Orgulho Nasce a Guerra de Max Wagner é liberado gratuitamente nos formatos digitais PDF e E-pub, ideal para computadores, celulares e tablets.

Erich Maria Remarque e Ernest Hemingway foram os escritores mais célebres que retrataram A Primeira Guerra Mundial com “Nada de Novo Front" e "Adeus às Armas ”. Desde então, apenas o estadunidense Jeff Shaara com seu romance histórico ” Até o Último Homem” e o galês Ken Follett com " Queda de Gigantes " conseguiram realizar o mesmo feito. Agora um brasileiro conseguiu escrever um romance sobre a Primeira Guerra: Max Wagner - o descendente de imigrantes italianos trouxe uma visão fantástica da guerra no seu romance “A Última Poesia - Do Orgulho Nasce a Guerra”. 
 
Este primeiro volume que dá início a saga narra a trajetória de um marco na história humana (A Primeira Guerra Mundial) suas perdas, desilusões e o fim do cavalheirismo. É o choque entre o Velho e o Novo Mundo. Neste romance a  História usou a Literatura como arma para desenhar um retrato vivo e chocante da Grande Guerra. 
 
Uma misteriosa carta escrita pelo Barão Vermelho a um piloto francês se transforma numa poderosa arma de propaganda, podendo mudar o curso da guerra. A personagem principal da trama é o aristocrata e aviador francês Gerrard de Burdêau que enfrenta um conflito dentro de si para entender aquela guerra inútil, que matou milhões de homens e nunca deixou vencedores. O romance retrata passo a passo as grandes batalhas da Primeira Guerra Mundial, o sacrifício estúpido de milhares de vidas, as trincheiras, a lama e o sangue por toda parte. 

A redenção chega para o capitão Gerrard, quando no final da guerra, em plena Batalha do Marne, encontra uma criança alemã em uma trincheira. Diante dessa situação entra em conflito com seus compatriotas franceses e passa a lutar com todas as forças para ficar com o bebê. Do outro lado da Europa, o cabo Adolf Hitler, ferido em um hospital na Alemanha, relembra o seu passado e os horrores daquela guerra terrível que durava quatro anos... A história frente a um soldado alemão angustiado na sua loucura, enquanto na França, o aviador Gerrard de Burdêau vive as consequências e o fim do conflito que havia prometido acabar com todas as guerras. Mergulhe nos campos lamacentos da Primeira Guerra Mundial, voe ao lado das grandes lendas aéreas de todos os tempos. 
                                               
                                                            
                                                              
                                                                         MAX WAGNER 

Max Wagner tem 42 anos, nasceu e foi criado em Ribeirão Preto-SP, é casado e pai de três filhos. O escritor é poeta, romancista, historiador, crítico literário, professor de História e Literatura na Escola Atitude, editor-fundador da Maxibook Editora. Há vinte anos pesquisa sobre as duas guerras mundiais, autor do romance “A Última Poesia - Do Orgulho Nasce a Guerra” que retrata a Primeira Guerra Mundial, publicado pela Chiado Editora de Portugal, coautor do livro “ A Bíblia Comentada Chapter a Day – O Velho Testamento de Norman Berry”, autor dos textos do fanzine "Especial Primeira Guerra Mundial" produzido pelos professores Arnaldo Jr. e Arnaldo Neto, curador do evento Ribeirão Preto e a Primeira Guerra Mundial que aconteceu de 10 a 20 de abril no Centro Cultural Palace com vários historiadores.

É membro da Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto, Médicos Escritores e Amigos de Ribeirão Preto e Ordem dos Jornalistas de Ribeirão Preto.  já participou de algumas antologias e várias feiras de livros. É colunista da Saga Literária, um site que escreve resenhas para várias editoras, também Possui um blog onde escreve sobre seus livros, história militar, literatura e cinema.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO RUSSA


     Trecho do romance A Última Poesia - Do Orgulho Nasce a Guerra de Max Wagner 


Antes da 1ª Guerra Mundial começar começar, mesmo contra tudo e contra todos, o czar Nicolau II juntou-se com franceses e ingleses na Tríplice-Entente trazendo problemas ainda maiores do que a Rússia já enfrentava. Nas batalhas de Tannemberg e Gumbinnem, o Exército russo perdeu dois regimentos inteiros - 250 mil mortos. Entretanto o Czar não se dava por satisfeito, mandando mais tropas para o front, sem conseguir enxergar a grande fome e o turbilhão de desgraças que o país enfrentava.

Nicolau havia virado fantoche nas mãos de sua esposa, Alexandra Feodorovna (uma princesa de origem alemã) e do mago e hipnotizador Gregory Rasputin, era um de seus conselheiros que havia curado seu filho de uma doença mortal. Alguns diziam que a Czarina e Rasputin eram amantes.

O excesso de timidez do Czar era comprovado quando ele obedecia cegamente a vontade da amada esposa e do mago Rasputin. O poder de Alexandra sobre o marido foi comprovado quando Nicolau deixou a Rússia sob seus desmandos para comandar pessoalmente as tropas russas no front em 1915.

A revolta popular atingiu o estopim para uma guerra civil. Ainda em 1916, Nicolau foi alertado por nobres fiéis sobre o que o comunismo poderia fazer; enquanto o Czar perdia uma batalha após a outra, camponeses e operários se organizavam para tomar o poder, mas Nicolau ignorava o povo.

O príncipe russo Felix Yusupov era primo da Czarina e fora humilhado por Rasputin, queria lavar a honra da família, o mago vivia bêbado fazendo orgias e dizendo besteiras. Descontentes com sua forte influência, a nobreza russa passou então a conspirar pela morte do monge louco. Ele era acusado de ser um espião a serviço da Alemanha. Escapou de várias tentativas de aniquilamento.

O Grão-Duque Dmitri Pavlovich e o príncipe Yusupov levaram Rasputin até uma adega, onde serviram bolos e vinho tinto misturado com uma enorme quantidade de cianeto. Havia veneno suficiente para matar cinco homens; porém sua úlcera crônica fez com que ele expelisse todo o veneno. Mas Depois foi fuzilado por Yusupov e por Pavlovich, levando vários tiros. Tendo ainda sobrevivido; foi castrado e teve sua genitália cortada e enfiada na boca. Finalmente jogado inconsciente no congelado rio Neva é que Rasputin morreu, não pelo veneno, nem pelos tiros ou espancamentos, mas afogado. Três dias depois o corpo de Rasputin foi encontrado, a causa da morte foi afogamento.

  Em 1917, Lênin - líder dos bolcheviques estava fora do país quando a Revolução de Fevereiro explodiu, ele precisava voltar, mas as fronteiras estavam vigiadas pelos Aliados. Os alemães tinham interesse na queda do Czar para colocar a Rússia fora da guerra, por esse motivo ajudaram Lênin e o introduziram via-trem em território russo. Estava então lançada a principal arma do comunismo.
                                                        


A ofensiva do general Brusilov havia desarticulado os  austríacos, mas os alemães rechaçaram os russos e venceram em Riga. A derrota em Riga foi o ponto final e o Czar acabou atacado pelo seu próprio país, tendo que abdicar do trono e junto com a família exilar-se na Sibéria.

A ordem geral número 1, emitida pelo Soviete de Petrogrado, deu aos soldados direitos que eles nunca tinham tido e permitiu eleição de comitês de soldados para a proteção desses direitos. Motins e deserções em massa tornaram-se ocorrências diárias, assim como linchamentos de oficiais. Unidades inteiras deixaram as trincheiras, aqueles que permaneceram se recusavam a lutar.

O general Brusilov teve menos problemas com suas tropas do que a maior parte dos oficiais, e não houve linchamentos em suas unidades durante as primeiras mudanças radicais, principalmente devido a sua popularidade e imediata aceitação da revolução. Ele rapidamente cooperou com os comitês de soldados.
Alexander Kerensky, então ministro da justiça no Governo Provisório, visitou a Frente do Sudoeste com Brusilov, tentando restaurar a ordem. Kerensky ficou tão impressionado com Brusilov, que planejou uma segunda ofensiva de Brusilov para o verão de 1917. Mas as deserções refletiam a verdadeira disposição do exército.

Ainda assim, chamando a operação planejada como uma ofensiva revolucionária, Kerensky ordenou que cerca de setenta divisões no sul atacassem a Áustria; como tinham feito no ano anterior, com ênfase em um avanço em direção a Lemberg. As preparações para a ofensiva foram as melhores da guerra. Havia material de guerra em abundância. O exército chegava a ter 120 aviões de observação e artilharia, pilotados principalmente por aviadores franceses e ingleses. Duzentos mil soldados foram escolhidos das melhores unidades e organizados em uma força de combate.

Ao contrário do ataque de Brusilov em 1916, não houve segredo, e os alemães transferiram quatro divisões da Frente Ocidental para o Oriente. A segunda ofensiva de Brusilov começou bem, pois o Exército austríaco não estava em melhor situação que o russo; as unidades austríacas, especialmente as eslavas - se rendiam sem lutar, e outras fugiam ao menor sinal de avanço russo. Entretanto, a chegada de tropas alemãs deu força aos austríacos.

No meio das derrotas, Kerensky demitiu Brusilov do comando em chefe do exército em 31 de julho, substituindo-o pelo general Lavr Kornilov. A maior parte do exército já não acreditava mais na Rússia e desertou em massas incalculáveis, ocupando as propriedades rurais na Rússia, promovendo a reforma agrária. Os alemães começaram a marchar Rússia adentro.

O general Kornilov, contrário ao novo governo, decidiu dar um golpe de Estado, reuniu as tropas do Báltico para destituir o governo provisório. Kornilov quase derrubou o governo, mas o golpe acabou fracassando, não teve apoio necessário.

Em 25 de outubro de 1917 estourou a Guerra Civil Russa. Sob a liderança de Lênin, os comunistas tomaram o poder na Revolução de Outubro. Sob as ordens de Lênin, o czar Nicolau acabou sendo fuzilado com a família e os empregados. Por causa dos detalhes nas roupas das filhas de Nicolau, os projéteis ricochetearam impedindo a morte delas; mas os socialistas terminaram o serviço com baionetas. Para eliminar qualquer prova de execução, todos tiveram seus corpos esquartejados e queimados com ácido, inclusive o filho amado e doente de Nicolau. O que restou do Czar foi enterrado em uma vala comum na floresta siberiana, era o fim do czarismo russo.

A Alemanha vivia dias de vitórias, a Revolução de Outubro (Revolução Bolchevique), havia inaugurado o socialismo na Rússia. O Front Oriental estava nas mãos dos alemães, e a vitória só parecia ser uma questão de tempo. Em dezembro finalmente a Rússia assinou o armistício com a Alemanha no acordo da cidade de Brest-Litovsk.


A Alemanha agora tinha tudo para vencer a guerra. Os americanos já estavam em solo francês, mas os alemães acreditavam que só faltava vencer o que restava dos franceses e ingleses. O Império Alemão tinha grandes chances de vitória, principalmente por que o general Pershing enfrentava muitos problemas internos para treinar e colocar seus soldados contra os germânicos.  


 Lênin

                                                               Família Real Russa 


Kerensky


Rasputin



 Josef Stálin


Trótsky


General Kornilov


Lênin


Stálin e Lênin


General Brusilov


Czar Nicolau II


Lênin discursa aos russos


  Imagens da Revolução de 1917


 








Tratado de Brest-Litovsky



                      Livros sobre a Revolução Russa


    Considerada a obra que inaugura a grande reportagem no jornalismo moderno, Dez dias que abalaram o mundo narra os acontecimentos chave em Petrogrado, no auge da Revolução Russa. O autor, Reed, conviveu, e  entrevistou  Lênin e Trótski.

                                          
    Considerado o texto político mais influente já escrito, o Manifesto Comunista de Marx & Engels permanece um ponto de referência para quem tenta compreender as transformações forjadas pelo capitalismo. Escrito em 1848 pelos filósofos e pensadores alemães, forneceu a base para a doutrina criada por Lênin para seu próprio manifesto: as Teses de Abril, e o subsequente desenvolvimento do comunismo.


    Durante o conturbado ano de 1917, a insurreição de outubro ganhou o apoio dos camponeses e soldados, primordial para permanecer viva. Na sequência, outros decretos ampliariam ainda mais as bases sociais da revolução que nascia. Esses e outros documentos históricos foram reunidos sob a organização de Daniel Aarão Reis.

                                          

    Service inicia sua análise crítica com Karl Marx e Vladimir Lênin, passando por Mao Tsé-tung, Fidel Castro e vários outros protagonistas de acontecimentos decisivos da história do comunismo mundial. Sem se restringir apenas a discorrer sobre a política, Service apresenta também as condições sociais que levaram milhões de pessoas a apoiar o comunismo em muitos países.

                                              

    Biografia cruzada do czar Nicolau II e de sua esposa Alexandra de Hesse, os últimos soberanos da dinastia Romanov, que governou a Rússia durante três séculos. Massie, ganhador do Prêmio Pulitzer, narra os fatos e circunstâncias determinantes para a derrocada do último grande império do mundo.                                                                                                       

                                             
Os dez ensaios - criativos, instigantes e polêmicos - reunidos neste livro não constituem um volume de ocasião, celebratório do centenário da mais relevante revolução do século XX. '100 anos depois: a Revolução Russa de 1917 não é uma tradicional coletânea em que doutos professores, encastelados na academia, louvam ou demonizam um evento extraordinário. Este livro não serve à louvação fácil nem à demonização interessada. É um notável esforço de compreensão: aqui, toma-se a revolução bolchevique como objeto de análise teórico-crítica. Daí a sua riqueza temática: desconstrói-se a satanização que a historiografia oficial promoveu sobre ela, desvela-se a sua efetiva contextualidade, enfrentam-se questões candentes (da consciência de classe, da economia política, do direito, da cultura) e não se elude o problema da sua degeneração. Neste livro, vê-se no Outubro de 1917 o laboratório emancipador que deve ser explorado crítica e prospectivamente - o rigor dos autores procura a verdade do passado para esclarecer e transformar o presente, com vistas ao futuro. (texto da 4ª. capa por José Paulo Netto).

"A passagem da Rússia tsarista para a sociedade soviética constitui um dos processos mais singulares e apaixonantes da história recente. Trata-se de um conjunto de eventos cujos desdobramentos seriam determinantes para a organização da estrutura global de poderes no século XXI, com grande impacto também na história das ideias.
                                                        



O general do Exército soviético Dmitri Volkogonov teve total acesso aos arquivos do Partido Comunista da União Soviética e reuniu dados para narrar de maneira brilhante a história do homem que, por trinta anos, controlou milhares de pessoas da União Soviética. O box contém dois volumes: o primeiro abrange o período que vai da revolução que derrubou um regime secular em plena Primeira Guerra Mundial até a imposição da mão de ferro stalinista sobre a URSS. No segundo acompanhamos o relato da turbulenta trajetória do ditador russo desde o momento em que rompe o pacto de não agressão com a Alemanha nazista até sua morte. Mais do que uma biografia, esta obra é o documento definitivo sobre o homem, o tempo e a tragédia.




Mesmo que os imperialistas destruam o poder bolchevique amanhã, não lamentaremos ter tomado o poder nem por um segundo. Em caso de derrota, mesmo assim, teremos servido à causa da revolução e o nosso experimento ajudará outras revoluções". Assim falou Lenin num Congresso de Professores em 1919. A um tempo vitória e derrota da perspectiva comunista, a revolução russa mantém hoje a sua atualidade pelo fato de que a sua luta ainda é, sob novas formas, a nossa luta: a ampliação do domínio do capital em termos extensivos e intensivos como nexo social apenas repõe, cada vez mais urgentemente, a necessidade de sua superação. As possibilidades e obstáculos para a criação da sociedade comunista no contexto russo, os erros e acertos dos revolucionários soviéticos, eis o que é preciso compreender e dar conta, se pretendemos avançar de fato para o socialismo. Todo poder aos sovietes! A revolução russa 100 anos depois reúne escritos de autores diversos que mantêm em comum o horizonte: a finalidade última de alcançar a liberdade. Pensada no sentido marxiano de emancipação das relações sociais alienadas e reabsorção pela sociedade de suas próprias forças, a perspectiva da liberdade orienta as pesquisas dos autores que contribuem nesta publicação, visando o desenvolvimento de um contexto que supera a oposição entre indivíduo e sociedade, de modo que os indivíduos se potencializem mutuamente. Este é o sentido geral das análises desta que foi a maior experiência revolucionária da humanidade e o espírito que o lema "Todo poder aos sovietes!" sintetiza. A distância histórica não foi capaz de anular sua atualidade. A sua finalidade ainda é a nossa.
Filmes sobre a Revolução Russa


O Almirante (russo: Адмиралъ Admiral ) é um filme sobre Alexander Kolchak , vice-almirante da Marinha Imperial da Rússia e líder do Movimento Branco anticomunista durante a Guerra Civil Russa. O filme também retrata o triângulo amoroso entre o Almirante, sua esposa e a poeta Anna Timiryova. De acordo com o diretor Andrei Kravchuk "O filme é sobre um homem que tenta criar história, para participar ativamente da história, como ele é apanhado na turbulência. No entanto, ele continua lutando, ele preserva sua honra e sua dignidade, e ele continua a amar." 



Reds é um filme estadunidense de 1981, um drama biográfico dirigido por Warren Beatty e baseado na vida de John Reed, um jornalista e escritor socialista norte-americano que retratou a Revolução Russa em seu livro Dez Dias que Abalaram o Mundo.


Filme O Encouraçado Potemkin. Em 1905, na Rússia czarista, aconteceu um levante que pressagiou a Revolução de 1917. Tudo começou no navio de guerra Potemkin quando os marinheiros estavam cansados de serem maltratados, sendo que até carne estragada lhes era dada com o médico de bordo insistindo que ela era perfeitamente comestível. Alguns marinheiros se recusam em comer esta carne, então os oficiais do navio ordenam a execução deles. A tensão aumenta e, gradativamente, a situação sai cada vez mais do controle. Logo depois dos gatilhos serem apertados Vakulinchuk (Aleksandr Antonov), um marinheiro, grita para os soldados e pede para eles pensarem e decidirem se estão com os oficiais ou com os marinheiros. Os soldados hesitam e então abaixam suas armas. Louco de ódio, um oficial tenta agarrar um dos rifles e provoca uma revolta no navio, na qual o marinheiro é morto. Mas isto seria apenas o início de uma grande tragédia.
                                                          


Filme Anastácia com Ingrid Bergman.  Paris, 1926. O General Bounine, a serviço dos nobres expulsos da Rússia pela Revolução de 1917, está à procura de Anastácia, filha do Czar Nicolau II, a única pessoa que pode liberar milhões de libras bloqueadas pelos bancos suíços.
Ele descobre uma mulher que perdeu a sua memória e que tem uma aparência muito parecida com Anastácia. Educa-a, para poder representar o papel de grã-duquesa, pois já não espera encontrar a verdadeira. Mas a moça se sai melhor do que o esperado e a dúvida aparece: será mesmo ela uma impostora?
                                                    


Outubro (em russo: Октябрь) é um filme soviético de 1928 mudo dirigido por Sergei Eisenstein e Grigori Aleksandrov. É uma celebração dramática da revolução de outubro de 1917 para festejar os dez anos do evento. Originalmente lançado como Outubro na União Soviética, o filme foi reeditado e lançado internacionalmente como Dez dias que abalaram o mundo, depois do livro de John Reed sobre a revolução.
                                                       


Filme espetacular com Omar Sharif e Julie Cristhie, baseado na obra de Bóris Pasternak. A Revolução Russa de 1917 serve de cenário para a história de amor entre Yuri Jivago, um jovem médico aristocrata e Lara Antipova, uma enfermeira plebeia. Lara é filha de uma costureira russa que, viúva, apenas consegue sustentar a casa em que ambas moram graças ao dinheiro que lhe é dado periodicamente por Victor Komarovsky, um importante e inescrupuloso expoente da sociedade local.

Apesar de Victor e a viúva manterem um relacionamento "secreto", o homem se encanta pela beleza da doce Lara, que contava com apenas 17 anos quando ambos se beijaram pela primeira vez na volta de uma festa. Apesar da relação vexatória mantida entre Lara e Victor, Pascha Strelnikoff, jovem romântico e revolucionário, apaixona-se pela menina e começa a namorá-la.

Enquanto a relação de Lara e Victor mostra-se destrutiva (a mãe de Lara, ao descobrir o relacionamento, tenta se matar), o namoro de Pascha e a moça se mostra uma saída sensata para ela dessa confusão, pois o moço a pede em casamento e ela aceita.

Ao saber do pedido, Victor discute com Lara e a violenta, chamando-a em seguida de "vagabunda". Lara descontrola-se e invade uma festa de Natal na alta sociedade russa para tentar matar, sem sucesso, o ex amante.  Jivago, que já havia visto Lara ao salvar sua mãe do suicídio, estava presente na festa com sua noiva, Tonya, e fica surpreso com a atitude e coragem da jovem. Apesar da impressão deixada, eles se encontram anos mais tarde, ao trabalharem como médico e enfermeira, respectivamente, no socorro aos feridos dos combates durante a Revolução Bolchevique (1917).

A esta altura, Jivago está casado e tem um filho com Tonya, enquanto Lara procura seu marido Pascha, que permanecia em missões no interior do país, visando destruir o regime czarista. Por passarem seis meses juntos em uma situação tão adversa, a aproximação dos dois é inevitável. Para fugir da revolução, e vendo seus pertences sendo tomados pelos bolcheviques, Jivago e família decidem refugiar-se no interior da Russia, levando sua esposa, filho e sogro para a casa de campo.


      Contexto Histórico da Revolução Russa  por Max Wagner


A Revolução Russa de 1917 foi um período de conflitos, iniciado em 1917, que derrubou a autocracia russa e levou ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Lênin. Recém-industrializada e sofrendo com a Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha uma grande massa de operários e camponeses trabalhando muito e ganhando pouco. Além disso, o governo absolutista do czar Nicolau II desagradava o povo que queria uma liderança menos opressiva e mais democrática. A soma dos fatores levou a manifestações populares que fizeram o monarca renunciar e, no fim do processo, deram origem à União Soviética, o primeiro país socialista do mundo, que durou até 1991.

A Revolução compreendeu duas fases distintas: A Revolução de Fevereiro (março de 1917, pelo calendário ocidental), que derrubou a autocracia do Czar Nicolau II , o último Czar a governar, e procurou estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal.

A Revolução de Outubro (novembro de 1917, pelo calendário ocidental), na qual o Partido Bolchevique, derrubou o Governo Provisório apoiado pelos partidos socialistas moderados  e impôs o governo socialista soviético. Até 1917, o Império Russo foi uma monarquia absolutista. A monarquia era sustentada principalmente pela nobreza rural, dona da maioria das terras cultiváveis. Das famílias dessa nobreza saíam os oficiais do exército e os principais dirigentes da Igreja Ortodoxa Russa.

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha a maior população da Europa, com cerca de 171 milhões de habitantes em 1904. Defrontava-se também com o maior problema social do continente: a extrema pobreza da população em geral. Enquanto isso, as ideologias liberais e socialistas penetravam no país, desenvolvendo uma consciência de revolta contra os nobres. Entre 1860 e 1914, o número anual de estudantes universitários cresceu de 5000 para 69000, e o número de jornais diários cresceu de 13 para 856.

A população do Império Russo era formada por povos de diversas etnias, línguas e tradições culturais. Cerca de 80% desta população era rural e 90% não sabiam ler e escrever, sendo submetida pelos senhores feudais, em troca de proteção, ideia vigorada na concepção dos Três Estamentos, as castas da sociedade: nobreza, clero e servos. Com a industrialização foi-se estabelecendo progressivamente uma classe operária, que possuía aspirações para melhorarem suas condições de vida, perspectiva esta aproveitada mais tarde pelos bolcheviques. A situação de extrema pobreza em que vivia a população tornou-se assim um campo fértil para o florescimento de ideias socialistas.

Nicolau II, o sucessor de Alexandre III, procurou facilitar a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país, principalmente da França, Alemanha, Inglaterra e Bélgica. Esse processo de industrialização ocorreu posteriormente ao da maioria dos países da Europa Ocidental. O desenvolvimento capitalista russo foi ativado por medidas como o início da exportação do petróleo, a implantação de estradas de ferro e da indústria siderúrgica.

Os investimentos industriais foram concentrados em centros urbanos populosos, como Moscovo, São Petersburgo, Odessa e Kiev. Nessas cidades, formou-se um operariado de aproximadamente 3 milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 a 16 horas diárias de trabalho, não recebiam alimentação e trabalhavam em locais imundos, sujeitos a doenças. Nessa dramática situação de exploração do operariado, as ideias socialistas encontraram um campo fértil para o seu florescimento.

Com o desenvolvimento da industrialização e o maior relacionamento com a Europa Ocidental, a Rússia recebeu do exterior novas correntes políticas que chocavam com o antiquado absolutismo do governo russo. Entre elas destacou-se a corrente inspirada no marxismo, que deu origem ao Partido Operário Social-Democrata Russo.

O POSDR foi violentamente combatido pela Okhrana. Embora tenha sido desarticulado dentro da Rússia em 1898, voltou a organizar-se no exterior, tendo como líderes principais Gueorgui Plekhanov, Vladimir Ilyich Ulyanov (conhecido como Lênin) e Lev Bronstein (conhecido como Trotsky). A divisão do Partido: Mencheviques e Bolcheviques Em 1903, divergências quanto à forma de ação levaram os membros do partido POSDR a se dividir em dois grupos básicos: os mencheviques: oriundos da Segunda Internacional ou a Nova internacional, oriundos do possibilismo, liderados por Martov, defendiam que os trabalhadores podiam conquistar o poder participando normalmente das atividades políticas. Acreditavam, ainda, que era preciso esperar o pleno desenvolvimento capitalista da Rússia e o desabrochar das suas contradições para se dar início efetivo à ação revolucionária. Como esses membros tiveram menos votos em relação ao outro grupo, ficaram conhecidos como mencheviques, que significa "minoria".

os bolcheviques: oriundos da Primeira e Segunda Internacional, oriundos do socialismo revolucionário e marxismo, liderados por Lenin, defendiam que os trabalhadores somente chegariam ao poder pela luta revolucionária. Pregavam a formação de uma ditadura do proletariado, na qual também estivesse representada a classe camponesa. Como esse grupo obteve mais adeptos, ficou conhecido como bolchevique, que significa "maioria". Trotsky, que inicialmente não se filiou a nenhuma das facções, aderiu aos bolcheviques mais tarde, em 1917.
  
Mesmo abatida pelos reflexos da derrota militar frente ao Japão, a Rússia envolveu-se em outro grande conflito, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que também sofreu pesadas derrotas nos combates contra os alemães. A longa duração da guerra provocou uma crise de abastecimento alimentar nas cidades, desencadeando uma série de greves e revoltas populares. Incapaz de conter a onda de insatisfações, o regime czarista mostrava-se intensamente debilitado. 

 Numa das greves em Petrogrado (atualmente São Petersburgo, então capital do país), Nicolau II toma a última das suas muitas decisões desastrosas: ordena aos militares que disparem sobre a multidão e contenham a revolta. Partes do exército, sobretudo os soldados, apoiaram a revolta. A violência e a confusão nas ruas tornam-se incontroláveis. Segundo o jornalista francês Claude Anet, em São Petersburgo, cerca de 1500 pessoas foram mortas e cerca de 6mil ficaram feridas.

Em 15 de março de 1917, o conjunto de forças políticas de oposição (liberais, burguesas e socialistas) depuseram o czar Nicolau II, dando início à Revolução Russa. A primeira fase, conhecida como Revolução de Fevereiro, ocorreu de março a novembro de 1917 e durou 1 semana.

Em 23 de Fevereiro, uma série de reuniões e passeatas aconteceram em Petrogrado, por ocasião do Dia Internacional das Mulheres. Nos dias que se seguiram, a agitação continuou a aumentar, recebendo adesão das tropas encarregadas de manter a ordem pública, que se recusavam a atacar os manifestantes.

No dia 27 de Fevereiro, um mar de soldados e trabalhadores com trapos vermelhos em suas roupas invadiu o Palácio Tauride, onde a Duma se reunia. Durante a tarde, formaram-se dois comitês provisórios em salões diferentes do palácio. Um, formado por deputados moderados da Duma, se tornaria o Governo Provisório. O outro era o Soviete de Petrogrado, formado por trabalhadores, soldados e militantes socialistas de várias correntes.

Temendo uma repetição do Domingo Sangrento, o Grão-Duque Mikhail ordenou que as tropas leais baseadas no Palácio de Inverno não se opusessem à insurreição e se retirassem. Em 2 de Março, cercado por amotinados, Nicolau II assinou sua abdicação.

Após a derrubada do czar, instalou-se o Governo Provisório, comandado pelo príncipe Georgy Lvov, um latifundiário, e tendo Alexander Kerenski como Ministro da Guerra. Era um governo de caráter liberal burguês, comprometido com a manutenção da propriedade privada e interessado em manter a participação russa na Primeira Guerra Mundial. Enquanto isso, o Soviete de Petrogrado reivindicava para si a legitimidade para governar. Já em 1 de Março, o Soviete ordenava ao exército que lhe obedecesse, em vez de obedecer ao Governo Provisório. O Soviete queria dar terra aos camponeses, um exército com disciplina voluntária e oficiais eleitos democraticamente, e o fim da guerra, objetivos muito mais populares do que os almejados pelo Governo Provisório.

Com ajuda alemã, Lenin regressa à Rússia em abril, pregando a formação de uma república dos sovietes, bem como a nacionalização dos bancos e da propriedade privada. Seu principal lema era: todo o poder aos sovietes.

Entretanto, o processo de desintegração do Estado russo continuava: a comida era escassa, a inflação alcançava a casa dos 1.000 %, as tropas desertavam do fronte matando seus oficiais, propriedades da nobreza latifundiária eram saqueadas e queimadas. Nas cidades, conselhos operários foram criados na maioria das empresas e fábricas. A Rússia ainda continuava na guerra.
  
O cruzador Aurora, navio que ajudou os bolcheviques a conquistar São Petersburgo, na época. A segunda fase, conhecida como Revolução de Outubro, teve início em novembro de 1917 e tinha como exigências a saída da guerra, o fim da carestia e a reforma agrária, sendo que 200 mil pessoas participaram dos protestos contra o czar que ainda tinha uma base de apoio.

Em sua passagem pela Alemanha, retornando de seu exílio na Suíça, Lenin negociou com o governo alemão o recebimento de 40 milhões de goldmarks para financiar sua revolta. A atuação de Aleksandr Parvus foi decisiva para essa negociação - ele que, durante anos, buscou ajuda do Império Alemão para financiar revoltas na Rússia. Nas Teses de Abril, Lenin deixava claro seu desejo de tirar a Rússia da grande guerra, o que era vital para os alemães. Financiando os bolcheviques, os alemães pretendiam derrubar o governo provisório, o que forçaria a Rússia a retirar-se da guerra, encerrando as atividades na frente Oriental permitindo ao Deutsches Heer (exército imperial alemão) concentrar todas as suas forças na frente Ocidental.

Na madrugada do dia 25 de outubro, os bolcheviques, liderados por Lênin, Zinoviev e Radek, com a ajuda de elementos anarquistas e Socialistas Revolucionários, cercaram a capital, onde estavam sediados o Governo Provisório e o Soviete de Petrogrado. Muitos foram presos, mas Kerenski conseguiu fugir. À tarde, numa sessão extraordinária, o Soviete de Petrogrado delegou o poder governamental ao Conselho dos Comissários do Povo, dominado pelos bolcheviques e dissolveu a antiga assembleia constituinte. O Comitê Executivo do mesmo Soviete de Petrogrado rejeitou a decisão dessa assembleia e convocou os sovietes e o exército a defender a Revolução contra o golpe bolchevique. Entretanto, os bolcheviques predominaram na maior parte das províncias de etnia russa. O mesmo não se deu em outras regiões, tais como a Finlândia, a Polônia e a Ucrânia.

 Em 3 de novembro, um esboço do Decreto sobre o Controle Operário foi publicado. Esse documento instituía a autogestão em todas as empresas com cinco ou mais empregados. Isto acelerou a tomada do controle de todas as esferas da economia por parte dos conselhos operários, e provocou um caos generalizado, ao mesmo tempo que acelerou ainda mais a fuga dos proprietários para o exterior. Mesmo Emma Goldman viria a reconhecer que as empresas que se encontravam em melhor situação eram justamente aquelas em que os antigos proprietários continuavam a exercer funções gerenciais. Entretanto, este decreto levou a classe trabalhadora a apoiar o recém-criado e ainda fraco regime bolchevique, o que possivelmente teria sido o seu principal objetivo. Durante os meses que se seguiram, o governo bolchevique procurou então submeter os vários conselhos operários ao controle estatal, por meio da criação de um Conselho Pan-Russo de Gestão Operária. Os anarquistas se opuseram a isto, mas foram voto vencido.

Era consenso entre todos os partidos políticos russos de que seria necessária a criação de uma assembleia constituinte, e que apenas esta teria autoridade para decidir sobre a forma de governo que surgiria após o fim do absolutismo. As eleições para essa assembleia ocorreram em 12 de novembro de 1917, como planejado pelo Governo Provisório, e à exceção do Partido Constitucional Democrata, que foi perseguido pelos bolcheviques, todos os outros puderam participar livremente. Os socialistas revolucionários receberam duas vezes mais votos do que os bolcheviques, e os partidos restantes receberam muito poucos votos. Em 26 de dezembro, Lênin publicou suas Teses sobre a assembleia constituinte, onde ele defendia os sovietes como uma forma de democracia superior à assembleia constituinte. Até mesmo os membros do partido bolchevique compreenderam que preparava-se o fechamento da assembleia constituinte, e a maioria deles foram contra isto, mas o Comitê Central do partido ordenou-lhes que acatassem a decisão de Lênin.

Na manhã de 5 de janeiro de 1918, uma imensa manifestação pacífica a favor da assembleia constituinte foi dissolvida à bala por tropas leais ao governo bolchevique. A assembleia constituinte, que se reuniu pela primeira vez naquela tarde, foi dissolvida na madrugada do dia seguinte. Pouco a pouco, se tornou claro que os bolcheviques pretendiam criar uma ditadura para si, inclusive contra os partidos socialistas revolucionários. Isto levou os outros partidos a atuarem na ilegalidade, sendo que alguns deles passariam à resistência armada ao governo.
  
Durante este período, o governo bolchevique tomou uma série de medidas de impacto, como: Pedido de paz imediata: em março de 1918 foi assinado, com a Alemanha, o Tratado de Brest-Litovski, no qual a Rússia abriu mão do controle sobre a Finlândia, Países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Polônia, Bielorrússia e Ucrânia, bem como de alguns distritos turcos e georgianos antes sob seu domínio. A saída da Rússia da Grande Guerra, era o objetivo alemão ao financiar o movimento bolchevique. O II Reich pôde então iniciar a ofensiva da Primavera na frente Ocidental e, esteve próximo de vencer a I Guerra Mundial, o que só não foi possível devido a deficiências logísticas e pela entrada dos EUA no conflito.

Confisco de propriedades privadas: grandes propriedades foram tomadas dos aristocratas e da Igreja Ortodoxa, para serem distribuídas entre o povo. Declaração do direito nacional dos povos: o novo governo comprometeu-se a acabar com a dominação exercida pelo governo russo sobre regiões tais como a Finlândia, a Geórgia ou a Armênia. Estatização da economia: o novo governo passou a intervir diretamente na vida econômica, nacionalizando diversas empresas.