quinta-feira, 16 de novembro de 2017

CENTENÁRIO DA BATALHA DE PASSCHENDAELE

Confiram o texto do romance Do Orgulho Nasce a Guerra de Max Wagner que narra a Batalha de Passchendaele.



Desde outubro de 1914, os ingleses vinham enfrentando os alemães na região da cidade belga de Ypres. Em 1915, durante a segunda batalha no local, os alemães utilizaram o gás de cloro pela primeira vez e obtiveram sucesso em forçar o recuo dos britânicos novamente para a cidade de Ypres. A cidade foi gradualmente destruída. O gás usado neste local era terrível, quando as nuvens coloridas se aproximavam gongos e matracas avisavam os combatentes das ameaças tóxicas e mortais.

Na investida com gases em 22 de abril de 1915, uma névoa de um verde cinzento soprou até as linhas das tropas aliadas. Em pânico milhares de soldados tentaram escapar, deixando armas e mochilas. Outros milhares se arriscaram com máscaras improvisadas.

O ataque dos germânicos mostrou-se um sucesso como guerra psicológica, os inimigos desertaram em massa deixando um grande número de mortos em poucos minutos. Uma brecha de mais de seis quilômetros de território livre foi deixada para o avanço alemão. Fritz Haber, era o chefe do Serviço de Guerra Química Germânica, dirigiu pessoalmente a investida com o cloro gasoso.

A cidade de Ypres era a única parte alta de um terreno que se estendia em uma vasta planície, e se os britânicos pudessem romper o bolsão da cidade e tomá-lo; poderiam virar-se para o Norte e expulsar os alemães da costa belga, capturando os portos de Ostend e Zeebrugge. A posição alemã na Bélgica estaria então flanqueada e o seu coração industrial, o Rhur, estaria ameaçado.

Os ingleses decidiram realizar mais um ataque nesse precioso local, mas a chuva era o maior inimigo para os britânicos que acabaram adiando o ataque. Uma grande ofensiva aérea com centenas de aviões ingleses e franceses  garantiu  aos  aliados  a  supremacia  no  céu. O príncipe Rupprecht da Baviera ficou  responsável  pela  defesa alemã  no  setor  de  Ypres, era  um  habilidoso  comandante  e  tinha  sangue  real  britânico  do  rei  inglês Jaime II. O ataque britânico seria apoiado por tropas francesas comandadas pelo general François Paul  Anthoine.

Em julho de 1917 parou de chover em Ypres, o general Sir Douglas Haig preparou o ataque para o dia 19 de julho. Os efeitos do bombardeio de alto explosivo e gás mostarda alemães forçaram Haig a atrasar a data da ofensiva. Depois do seu primeiro uso efetivo, na barragem de 26 de julho, 1/6 dos homens do 5º Exército britânico, que estava concentrando para a ofensiva, foram dados como baixa.

Os alemães tinham consciência da importância estratégica de Flandres  e  por  causa  disso, esta  era  uma  das  partes  mais  fortemente  defendidas  de  sua  linha. No dia 27 de julho, os alemães executaram uma retirada tática das suas linhas de frente, em direção à cadeia montanhosa de Passchendaele. Este procedimento abriu uma zona potencial de atoleiros no terreno baixo entre o seu novo front e as linhas de avanço britânicas.

A Linha Hindenburg batizada em homenagem ao Chefe Militar Alemão baseava-se em defesa de profundidade com três linhas, sendo a última posicionada além do alcance das armas britânicas. Essas linhas possuíam extensões de arame farpado, bunkers de concreto e ninhos de metralhadoras. As concentrações de tropas e a artilharia britânica estavam sob a visão direta da colina de Vimy Ridge. O fogo de artilharia alemão era utilizado com grande efeito a fim de interromper os preparos de Haig para a batalha.

Os alemães haviam desenvolvido uma técnica muito efetiva de contra-ataque caso fossem desalojados de suas posições. Eles mantinham tropas descansadas na reserva, especificamente para os propósitos de contra-ataque, e estas seriam capazes de assaltar seus exaustos inimigos.

A artilharia alemã também era superior à britânica, tinha alcance maior e possuía melhores projéteis. Também possuíam uma arma secreta, que consistia na dispersão de gás mostarda através de obuses. Este líquido causava bolhas na pele, caso tocado ou simplesmente se o soldado andasse pela zona de evaporação. O efeito deste gás nos olhos era devastador. A geografia e o clima foram acentuados pela insistência de Haig no bombardeio preliminar das linhas alemãs. Muitos projéteis não atingiram a distância necessária e transformaram um campo de batalha em um local intransponível.

Ypres era o inferno na terra, um mar de lama negra misturado com sangue e cadáveres. Os alemães usavam uma variada gama de projéteis; alto explosivo, gás mostarda e lacrimogêneo, este servia para fazer os artilheiros espirrarem e lacrimejarem tanto que não poderiam vestir suas máscaras de gás, sucumbindo então aos efeitos de uma segunda bateria de gás mostarda.

Sob as ordens do general Douglas Haig, a Terceira Batalha de Ypres finalmente começou em 31 de julho de 1917, com o ataque nas planícies do norte, mas foi mundialmente conhecida como a Batalha de Passchendaele; pois ela tinha um único objetivo, a tomada da vila de Passchendaele e os terrenos elevados a sua volta.

O general Arthur Currie, comandante das tropas canadenses, também faria parte da ofensiva; algumas tropas eram apoiadas por formações maciças de tanques e o ataque mostrou-se, bem sucedido. Quando tudo caminhava para o golpe final contra os alemães, às quatro da tarde a chuva se iniciou, caiu dez vezes mais chuva do que o esperado; infelizmente, as tropas do flanco direito foram bloqueadas.

O tempo permaneceu chuvoso por dias e as inundações tornaram o terreno impossível à operação de tanques. Embora Haig tenha proposto uma batalha curta, a fim de penetrar as linhas alemãs, isso se mostrou impossível, mas ele ainda insistiu em continuar a batalha ao Norte.

O general Gough, escolhido por Haig advertiu que seria mais prudente cessar a batalha; mas a teimosia do Comandante decidiu que ela continuaria por mais três semanas, até 26 de agosto, mesmo com as terríveis baixas. Haig parecia não se preocupar muito com o número elevado de perdas, para ele não passava de números; seu objetivo era vencer custasse o que fosse. Ele alterou seu Estado-Maior, substituiu o general Hubert Gough pelo general Herbert Plumer, que foi designado para a próxima ofensiva.

Plumer usaria avanços em pequena escala, sob a proteção de potentes barragens, que impediriam os contra-ataques alemães. Essa estratégia levaria a uma grande concentração de força, o que facilitaria a troca de homens cansados e a distribuição de alimentos e munições. O tempo estava bom, nem sinal de chuva, na madrugada daquele dia, depois de um bombardeio de cinco dias, os Anzacs conseguiram realizar um ataque bem sucedido.

Os australianos alcançaram a parte baixa, a Floresta Poligonal, tal feito custou às tropas cinco mil baixas. O terreno capturado foi consolidado e apoiado por uma linha, e estradas vicinais foram rapidamente abertas; a fim de possibilitar a rápida chegada de suprimentos ao novo front.

Em 26 de setembro o tempo ainda estava bom e o chão havia secado. A 4ª Divisão Australiana tomou então o restante da área da Floresta Poligonal. Eles haviam alcançado uma posição que os permitiria golpear o barranco principal da colina de Broodseinde. A Batalha de Broodseinde aconteceu na madrugada de 3 de outubro.

As tropas australianas foram bombardeadas com morteiros pesados nas suas trincheiras e, conforme atingiam o topo, foram surpreendidas por tropas alemãs que avançavam sob a cobertura do fogo de barragem. Por coincidência as tropas inimigas haviam lançado um assalto ao mesmo tempo. Os alemães foram rechaçados pela carga de baioneta calada dos australianos; entretanto as metralhadoras alemãs causavam crescentes baixas e retiveram parte do ataque.

Depois da carga australiana, os alemães retiraram-se para suas trincheiras onde, junto às suas reservas foram golpeados pelo forte bombardeio inglês. A barragem de artilharia direcionava-se profundamente nas linhas alemãs, e depois se voltava para a posição australiana, que sob cobertura, avançou posteriormente e capturou a colina de Broodseinde em 4 de outubro. Tendo os australianos alcançado o topo da ravina, possibilitou-os ver as linhas de retaguarda germânicas bem defronte, o único obstáculo a sua vitória era a Vila de Passchendaele, que estava em poder dos alemães.

Recomeçou a chover em 5 de outubro. Haig, animado pelas três vitórias, ignorou a chuva e decidiu fazer mais uma tentativa de quebrar as linhas alemãs na cadeia montanhosa de Passchaendale; advertindo a cavalaria para que esta estivesse pronta para seguir a investida e iniciar a perseguição. Ele ordenou aos Anzacs a tomada de Passchendaele em 9 de outubro, mesmo com o aumento da chuva. Suas razões para prosseguir eram permitir às suas tropas passar o inverno em Passchaendale, sem que os alemães os pudessem alvejar e em condições mais secas.

Os australianos atacaram e, na Floresta Augusto, o capitão Clarence Jeffreis organizou um grupo e assaltou umas das casamatas, capturando quatro metralhadoras e fazendo 35 prisioneiros. Ele ainda liderou outra carga, na próxima fortificação, mas foi morto por fogo de metralhadora; todos os oficiais em seu batalhão foram mortos ou feridos naquele dia. Por causa da bravura do capitão Jeffreis, 20 homens alcançaram os destroços da igreja de Passchendaele. Infelizmente os britânicos à sua direita não conseguiram apoiá-los e os australianos foram forçados a se retirar, por todo o caminho percorrido, até o lamaçal da sua linha de frente original.

Neste momento sua artilharia já estava quase sem munição e seus projéteis, ao serem disparados, se afundavam na lama, causando pouquíssimo impacto ao inimigo. Ainda assim Haig insistiu na batalha, mesmo com a chuva e o frio que chegou em 12 de outubro. A loucura de Haig ordenou ainda outro assalto, com os homens esforçando-se por avançar com lama nas alturas de seus quadris e seus rifles emperrados. Este ataque custou às forças aliadas 7.000 baixas; somente a 3ª Divisão Australiana perdeu 3.200 homens nas primeiras 24 horas da ofensiva.

Os exaustos australianos recuaram, mas Haig estava obcecado pela captura da Vila de Passchendaele e ordenou aos canadenses que assumissem a batalha. Entretanto o general Elliot, recusou-se a mover as tropas enquanto o tempo não melhorasse e suprimentos adequados não estivessem à disposição.

No dia 23 de outubro a infantaria francesa atacou o Fort  de  La Malmaison, situado  no  Chemin Des  Dames, região  do  rio  Aisne, o  ataque  foi  um  sucesso  se  transformando  numa  grande  vitória francesa. Em Passchendaele os britânicos tiveram que esperar o  tempo  melhorar  para  um  ataque  final. Somente no dia 12 de novembro, os canadenses conseguiram tomar Passchendaele, ou o que restou da vila.

Fotografias aéreas foram tiradas depois da batalha; milhões de buracos de projéteis podiam ser vistos na cidade.  Mesmo alcançando o objetivo, ele foi inútil em termos do plano original. O ataque pelo mar em Nieuport foi abandonado e não havia esperanças de avançar contra os portos alemães do Canal da Mancha, que foram posteriormente bloqueados pelo almirantado através do afundamento de navios em Zeebrugge.

O general Douglas Haig não conseguiu capturar as bases de submarinos alemães na costa belga. Em seus três meses, Passchendaele custou mais de meio milhão de vidas, aproximadamente 250.000 mil alemães e 300 mil britânicos; dos quais 36.500 eram australianos. Noventa mil corpos ingleses e australianos nunca foram identificados, 42.000 jamais foram recuperados, estes foram explodidos em pedaços ou submersos na lama.

Muitos dos afogados eram homens exaustos ou feridos que desmaiavam ou caíam das tábuas (colocadas para a travessia pelos mares de lama) e não conseguiam mais escapar da massa malcheirosa; afundando para a morte enquanto lutavam para sobreviver. Durante os anos de batalhas em Ypres, 41 mil voluntários alemães perderam a vida dos quais 25 mil eram estudantes.


Após a vitória em Passchendaele, Sir Douglas Haig foi promovido a marechal. Passchendaele é a extraordinária bravura dos combatentes que tentaram o que era impossível, através de esforços extremos conseguiram cumprir com seus objetivos. Mesmo que seus esforços possam ser considerados inúteis pelos desmandos do Alto Comando, eles nunca poderão ser minimizados ou esquecidos. Jamais...

Marechal Douglas Haig

Cartaz do filme Passchendaele

                                               
                                                           General Arthur Currie

Marechal Haig - Comandante da Fora Expedicionária Britânica

 
 Filme Passchaendaele
  
General Hubert Gough

                                 Homenagem aos soldados de Passchendaelle

General François Paul Anthoine.

Anzacs
                                                
                                              Foto da batalha de Passchaendaele

General Herbert Plummer

Dr. Fritz Haber


       Cartazes da batalha de Passchendaele 

                                                                               

                                                      Cenas do filme Passchendaele

                              
                                    


Capitão Clarence Jeffreis 

Príncipe Ruprechtt da Baviera


Filme completo Passchendaele

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

OS ESTADOS UNIDOS ENTRAM NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

TRECHO DO ROMANCE  "DO ORGULHO NASCE A GUERRA" DE MAX WAGNER QUE RETRATA A ENTRADA DOS E.U.A. NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.



Em abril o general Julian Byng, do 10º Regimento de  Cavalaria  Hussardo, liderou  o  Corpo  Canadense  e  venceu  a  batalha  da  Colina  de  Vimy  Ridge  contra  os  alemães; no  primeiro  dia  da  batalha  de  Arras. Entretanto a Ofensiva de Arras foi cancelada em maio por causa da forte resistência alemã.

Cinco grandes túneis foram escavados debaixo dos alemães na Colina de Messines, ali foram colocados 455 toneladas de  minas explosivas. Entre os dias 26 de maio e 6 de  junho,  a  artilharia  britânica  disparou mais  de 3 milhões de  projéteis  causando  grandes  danos na  artilharia  germânica  em  Messines.

No dia 07 de junho, as minas foram detonadas mandando os alemães pelos ares; em seguida o 2º Exército britânico do general Herbert Plummer atacou  o  que  restara das  posições  alemãs.

No dia 14, reservas alemãs contra-atacaram. O major irlandês Wiliam Redmond foi morto, Willie foi um dos muitos irlandeses que serviram no Exército britânico. Apesar das perdas os ingleses se saíram vitoriosos consolidando a vitória em Messines.

O navio Lusitânia havia sido torpedeado por um submarino alemão, provocando a morte de muitos americanos. Qualquer navio-civil ou militar, que se aproximasse da Inglaterra era destruído pelos alemães com seus submarinos U-Boats. A intenção era matar os britânicos de fome, interceptando o fornecimento de suprimentos.

Agentes alemães provocavam sabotagem nos portos americanos, só que um erro político dos germânicos colocou os americanos na guerra. Os ingleses interceptaram o telegrama codinome “Zimmermann” no qual os alemães tentavam colocar o México contra os Estados Unidos. Deixando os norte-americanos ocupados com seu vizinho, a  ponto  de  não  se  envolver  em  uma  guerra  na  Europa.

O tiro acabou saindo pela culatra, pois colocou os americanos na guerra. O plano mexicano acabou sendo abandonado pelos alemães. Em seguida, a China e o Brasil se uniram aos Estados Unidos, entrando em  guerra  contra o Império  Alemão.

O general americano John Pershing foi designado para comandar os soldados americanos que seriam enviados para a França, para salvar os aliados. Pershing tinha grande experiência em combate, havia lutado contra as milícias do líder mexicano Pancho Villa, expulsando os revolucionários e ferindo Pancho que foi obrigado a esconder-se.

O general estadunidense solicitou três milhões de homens para colocar um fim na campanha contra os alemães, que deveria ser concluída em dois anos. Quatro milhões de recrutas estavam alistados no Exército americano e logo muitos começaram a embarcar para a França. Os navios americanos partiam de Nova York e desembarcavam em Liverpool e Glasgow na Inglaterra; depois atravessavam o Canal da Mancha para aportar em Saint Nazaire e Brest. Três desses navios que levavam americanos foram torpedeados por submarinos alemães provocando a morte de quase 200 vidas.

No dia 04 de julho, as primeiras tropas americanas desfilaram pela Champys-Elisée comemorando o Dia da Independência Americana. Os soldados americanos se intitularam “Doughboys” e passaram a ser chamados assim por toda a França. Os civis franceses estavam desesperados e quando os americanos chegaram foi uma grande festa, a esperança havia sido renovada.

Em setembro de 1917, o general Pershing estabeleceu seu Quartel General em Chaumont na região do Marne. O general era conhecido por toda parte como “Black Jack” (Jaqueta Negra) há muito tempo recebera essa alcunha, pois havia sido comandante do regimento americano Búffalo Soldiers, que era constituído só de negros, daí o motivo do apelido, o único branco entre negros.

Na França Pershing enfrentou muitos obstáculos, os generais americanos estavam descontentes com sua indicação, visto que alguns deles possuíam maior autoridade dentro do Exército. Entretanto o presidente Wilson outorgou a Pershing a salvação da França, por que sabia que ele era o mais indicado para a missão.

Por causa da inveja de seus colegas Pershing enfrentou problemas. Logística inadequada para desembarcar e treinar seus soldados na França. Ele teve que reestruturar todo seu Estado-Maior, apenas pessoas de confiança passaram a trabalhar no seu gabinete. Os problemas não pararam por aí, ingleses e franceses não estavam dispostos a receber os americanos como força independente. Pretendiam usá-los para repor suas unidades nas trincheiras, uma guerra de lama e sangue que já se estendia por três anos.

Pershing não suportava o método de guerra das trincheiras, pois acreditava que havia meios para romper com a estagnação. Teve duras discussões com o general Douglas Haig, e também com o Primeiro Ministro francês Clemenceau. Em contrapartida ganhou admiração de Jofre e de Pétain, sabia que precisa deles para vencer a guerra e deveria ouvir seus conselhos.

Embora o Exército americano tivesse muita vontade de lutar e terminar com a paralisação, não tinha experiência naquela guerra de trincheiras; isso se revelaria um problema, mas eles aprendiam rápido.

Os franceses estavam além do limite de suas forças, grande parte do exército havia se amotinado há pouco tempo, e os britânicos estavam cansados de tanta lama e sangue que cobriam suas vidas; principalmente nas batalhas do Somme e Ypres. Se os americanos não entrassem em combate rápido tudo estaria perdido.


Arthur Zimmerman - Ministro do Império Alemão


General John Pershing







                 Doughboys - Soldados Norte-Americanos na França
                         
                                   

Presidente Wilson



                      Soldados negros dos Estados Unidos da América


O Telegrama Zimmerman




quinta-feira, 24 de agosto de 2017

RESENHA A CASA DE PAPEL - CARLOS MARÍA RODRÍGUEZ


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A Casa de Papel - Uma incrível história da paixão desmedida pelos livros
                                             

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   Título: A Casa de Papel
   Autor: Carlos María Domínguez
   Editora: Realejo                                               
   Páginas: 96
   ISBN: 9788589362658
   Ano: 2014

   Onde Comprar: Estante Virtual - Realejo 

   Sinopse: A Casa de Papel  é um  romance de  apenas     96    páginas do  escritor argentino Carlos    María   Domínguez,  publicado em 2014  pela  editora  Realejo, tornou-se um best-  seller com 150 mil      exemplares  vendidos. A obra pode  ser lida  num único    fôlego,  prende o leitor do início ao fim, um suspense    que  mistura loucura e paixão pelos livros. Narrado em  primeira  pessoa, a trama começa na primavera de  1998 em Cambridge,  quando Bluma Lennon, uma professora de espanhol é atropelada  e acaba morrendo. Ao que tudo indica a causa da morte foi um  livro de poemas de Emily Dickinson que ela lia quando o acidente  aconteceu.   

            

   Um professor e ex-amante de Bluma acaba se envolvendo na trama quando tem contato com um livro manchado de cimento e uma intrigante dedicatória de Bluma, a obra trata-se de A Linha da Sombra de Joseph Conrad. Intrigado, o professor viaja para Buenos Aires à procura de um estranho bibliófilo que tem algum tipo de ligação com Bluma.

 Na Argentina o professor encontra Delgado, o obscuro colecionador de livros que ele procurava. O bibliófilo passa a contar ao professor sobre a vida de Carlos Brauer, um homem que se tornara insano por causa da literatura. Ele mergulha na loucura pelos livros e não encontra limites ao seu desejo de conhecimento e de reunir obras para construir uma casa feita de cimento, livros e tijolos.

 Os livros tornam-se o ar que ele respira, ele se desfaz dos seus bens para mergulhar nessa jornada insana. Todos os cômodos da casa de praia estão abarrotados de livros: manuscritos, pergaminhos, livros antigos ocupam até o banheiro, Brauer abre mão de todos os confortos que uma casa pode oferecer para preservar os seus livros. Com o tempo ele acaba sendo tragado pelos milhares de títulos da sua biblioteca.  
Resenha:  A Casa de Papel é um livro curto, mas que diz muito em poucas palavras. Um dos grandes segredos de um bom escritor é a concisão, e Carlos María Domínguez desenvolve isso com maestria. É uma leitura leve e dinâmica, uma escrita de fácil compreensão, e que possui informações culturais riquíssimas. Vários livros e autores são citados fazendo o leitor viajar por cada um deles. A obra está repleta de subtextos.
 O livro é fantástico, revela um amor extraordinário pelas bibliotecas e pela leitura. Um suspense sensacional que envolve metafísica levando o leitor entre a realidade e a fantasia. Bluma é uma personagem que foi envolvida nessa trama onde as histórias dos livros parecem ter tomado vida.
 Altamente recomendável por que se lê em poucas horas, faz mergulhar na história, uma busca que envolve pessoas, livros e um reconhecimento maior pela literatura. É uma homenagem a tantos bibliófilos, assim como o saudoso José Mindlin que chegou a possuir mais de 40 mil livros.
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A edição da Realejo ficou muito boa, o papel é leve e de boa qualidade tornando a leitura dinâmica, a capa é bem sugestiva, não encontrei erros de diagramação ou de Gramática, realmente ficou sensacional. 
Opinião: A Casa de papel mostra o quanto os livros revolucionam as vidas das pessoas, é um livro que traz empatia e identificação, mas também desespero e agonia. Os livros podem ser perigosos, mas também podem ser encantadores, acolhedores e edificantes.  Ler livros é um ato solitário, mas aqueles que se dedicam a essa jornada têm suas vidas transformadas para sempre.  
 Depois da leitura da obra de Domínguez ninguém sairá indiferente, ou vai amar ainda mais os livros ou passará respeitar a literatura. Uma das maiores armas contra o mundo em que vivemos é o livro, ele é uma das grandes curas da humanidade. A arte aproxima as pessoas, e a literatura pode ser o grande elo entre muitos.
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O Autor: Carlos María Domínguez nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 23 de abril de 1955,  é escritor, editor e jornalista argentino. Vive em Montevidéu, Uruguai, desde 1989. Ele começou como jornalista na revista Crisis de Buenos Aires, da qual ele era secretário editorial e diretor. Em Montevidéu, foi editor-chefe da Brecha Weekly, onde também colabora com  páginas literárias e editor do semanário Pesquisa. Ele também exerce críticas literárias no Suplemento Cultural do jornal El País. Ele é autor de mais de 20 livros, nos gêneros de romance, história curta, cronogramas de viagem, biografias e duas peças.